O fim de semana prolongado viu o regresso dos incêndios de verão, a catástrofe natural/humana que assola os países e as regiões de clima mediterrânico e em especial as que sofrem com a desertificação das zonas rurais. No concelho de Óbidos, dois incêndios deflagraram este Domingo, 17 Agosto, em zonas de mato, tendo sido dominados sem causas danos pessoais e sem danos materiais de maior. No concelho de Penamacor, em plena Reserva Natural da Serra da Malcata, um incêndio mobilizou mais de 100 operacionais e 5 meios aéreos. Já no concelho de Alijó, em Trás-os-Montes, o fogo foi também dominado pelos bombeiros que acorreram ao local.

O facto de este ser um dos verões mais frios das últimas décadas, e dada a quantidade elevada de precipitação que tem caído, aliada aos nevoeiros, ajuda a que a área ardida este ano seja relativamente baixa.

Publicidade
Publicidade

Com certeza que à custa da paciência dos portugueses que desesperam por ter noites de verão, e em benefício dos que vivem nas zonas mais quentes (como é o caso do Baixo Alentejo), que já notaram a diferença: um verão com temperaturas máximas de 34 graus é mais agradável que um com 41 graus.

Mas não nos podemos deixar iludir. De forma quase automática, ou matemática, baixa que as temperaturas subam para valores normais, aliando isso a alguns dias sem chuva, para que grande parte do nosso território se torne combustível para queimar, e a ignição se torne automática.

No curto prazo, o reforço dos meios de combate terrestres e aéreos é certamente prioritário. Uma eventual revisão das penas ou das medidas aplicadas a suspeitos de atear fogos pode ser bem-vinda. E com certeza que a prevenção semi-profissional em zonas de risco (no Centro e no Norte de país) ajuda os meios a actuar rapidamente antes que o lume atinja grandes proporções.

Publicidade

Mas no longo prazo, será fundamental rever o ordenamento do território, e para isso, infelizmente, não temos qualquer ideia. Não é possível que, num território quase desabitado e sem que existam meios ou interesse em aproveitar o mato ou, genericamente, em trabalhar a terra, se possa ter um controlo efectivo de forma a evitar incêndios bíblicos. Já passaram 11 anos depois de termos percebido que as nossas florestas servem para queimar, plantar eucalipto e queimar entretanto novamente, e não existe qualquer remoto vestígio de medidas de longo prazo. Na prática, tudo passa pelo relacionamento que queremos ter com a terra, depois de termos desistido da agricultura de subsistência (num processo que se intensificou nos últimos 40 anos) e de a termos substituído por quase nada. Onde há presença humana efectiva, onde há várias culturas e vários tipos de florestação em vez de manchas unitárias de pinheiro, os fogos não crescem. #Natureza

Mas precisaremos de grandes ideias para fazer com que a terra seja efectivamente lucrativa. Poderemos todos vir a produzir mirtilo?