Em 2014 o mundo assiste ao crescimento da violência contra civis no Médio Oriente. De um lado, um fenómeno que já conhecemos bem, na Palestina. Pelo meio, na Síria, a situação dos civis, que vem dos anos anteriores, permanece no esquecimento geral. Do outro, uma novidade assustadora: o Estado Islâmico, ou Califado como se chama a si próprio, está a cometer genocídio contra as minorias não muçulmanas no seu território.


Nunca se viu tal coisa em 1500 anos de história do Islão, e seguramente que o bilião de muçulmanos não se revê nisto - de resto, a auto-proclamação como Califado não obteve qualquer entusiasmo ou reconhecimento enquanto tal por parte dos países muçulmanos.


É difícil apontar responsabilidades aos países que estão de fora. Mas, para um cidadão comum que vive na Europa, estas imagens transmitem uma sensação de impotência. Tal como acontece na África Ocidental, onde nada mais soubemos das 200 crianças raptadas - apenas que os países da região se estão a mobilizar contra o Boko Haram. Por que motivo não fazemos nada? Por que razão os governos europeus (para não dizer o americano…) não se sentem pressionados a indicar a Israel que é precisa uma solução definitiva para Gaza e a Cisjordânia? Por que razão não há uma mobilização mundial contra o Califado? 


Sim, podemos também perguntar: por que motivo a Rússia não tem uma palavra, a China não tem uma palavra para o Médio Oriente? Não são também países grandes importantes? Claro, a Rússia está mais preocupada com a Ucrânia, e a China com o Tibete… porque a verdade é esta: a hipocrisia e o cinismo, na política internacional, não estão apenas nos Estados Unidos. Só mesmo uma opinião pública mundial, livre e empenhada, de Vancouver a Xangai, de Paris a Tóquio, de Luanda ao Rio de Janeiro e a Lisboa, pode impedir estes massacres. Tal como aconteceu em 1999, quando o Mundo actuou para impedir o que se passava em Timor Loro Sae.


Até agora quase nada sabíamos sobre as minorias cristãs e a minoria yazidi no Iraque, e é lamentável que seja pelos piores motivos que elas se tornarão mais conhecidas no Ocidente. Os cristãos irão rezar por estas pessoas, tal como o Papa já exortou. Mas era necessário algo de mais concreto e palpável.