Mais um ano letivo que se inicia. Um fervilhar de cabeças que se amontoam na entrada da nova escola (inaugurada no ano letivo anterior), a ânsia de entrar rápido e reencontrar os colegas, alguma curiosidade em conhecer os novos professores. Uma escola de província mas bem moderna, este ano até vão ter um cartão de aluno eletrónico que não só serve para controlar as entradas e saídas, como também carregar com dinheiro e usar como meio de pagamento dentro da escola. E note-se, os encarregados de #Educação têm acesso online ao livro de ponto digital. Que distância dos velhos tempos em que nem telemóvel havia ou mais ainda dos tempos em que se o professor queria contactar os pais tinha que se deslocar ao campo e procurá-los no local de trabalho ou à noite, na casinha de chão de terra, sem água canalizada ou qualquer aproximação de casa de banho e onde se estudava à luz da vela.

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Os alunos dispõem agora de ferramentas poderosas de trabalho, como são os computadores e a internet e têm o mundo à distância de um click. Todo o conhecimento acumulado ao longo de gerações está agora disponível para todos, de forma facilitada, para o bem e para o mal.

Tudo parece evoluir a passos rápidos no bom sentido se não nos detivéssemos em alguns pormenores. Num olhar mais atento podemos ver que estes alunos se amontoam na entrada da escola sujeitos à intempérie, assim como o fazem os encarregados de educação que vão esperá-los na saída, uma vez que nem lhes é permitido abrigarem-se no pequeno corredor. Quando entram na escola e reencontram os amigos o interesse principal passa a ser o jogo de matraquilhos existente no átrio. A grande maioria passará o ano, ou até vários anos sem conhecer a cómoda e moderna biblioteca.

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Ainda há professores por colocar, ainda que muitos se encontrem no desemprego, vá-se lá perceber... Os manuais são uma exorbitância. Agora que os pais descobriram a troca de livros usados, poupando no orçamento e no ambiente, alguém se lembrou de reorganizar os programas e por isso editar novos livros com o mesmo conteúdo mas de aquisição obrigatória. Qual educação gratuita?... Enfim, os problemas de base continuam os mesmos de há mais de cinquenta anos.

Isto tudo para dizer que sim, as estruturas evoluíram, sim, as ferramentas de trabalho evoluíram. E nós, as pessoas, as mentalidades? Como resolvemos os problemas de base das nossa crianças? Sim, nós, porque não são só os governantes, os diretores, os professores..., somos nós também responsáveis como pais, como encarregados de educação, como cidadãos. Teremos nós capacidade de acompanhar todo este desenvolvimento ou continuamos a vestir vestido novo de pano roto?