Infelizmente o Brasil mostrou efetivamente que não tem a urgência que o povo brasileiro e o mundo esperavam dele para a luta contra o desmatamento. A floresta amazônica ocupa metade do Brasil e abriga 2/3 de todo o remanescente florestal brasileiro atual, de acordo com o Greenpeace. Só isso já faz do Brasil o principal interessado em preservar a mata e sua biodiversidade, mas infelizmente não é o que está sendo demonstrado. Escândalos já envolveram políticos importantes, inclusive a atual candidata à Presidência, Marina Silva, em extração de madeira ilegal.

Ainda de acordo com o Greenpeace, a política de preservação ambiental no Brasil é praticamente nula, ou pelo menos totalmente ineficiente, uma vez que, perdemos até hoje 93% da mata Atlântica, perdemos 48% do cerrado, perdemos 45% da caatinga, perdemos 20% da Amazônia, perdemos 53% dos pampas e perdemos 15% do pantanal.

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Ou seja, no mínimo somos totalmente incompetentes em preservar nossa riqueza natural, o que é vergonhoso. E ainda temos que escutar de nossa presidente, em discurso na cúpula climática sobre o aquecimento global, que o Brasil tem uma política exemplar em preservação e total controle sobre o desmatamento, que segundo ela, está sendo efetivamente combatido. Dá até vontade de rir.

A nossa atual Ministra do Meio Ambiente alega que o Brasil não foi convidado a participar do processo de elaboração do documento assinado sobre o desmatamento zero, contrariando o que diz Charles Mcneil, conselheiro sênior de política ambiental do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas, que declarou que "houve esforços para chegar às pessoas do governo brasileiro, mas não houve resposta. Não havia vontade alguma de excluir o Brasil.

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É o país mais importante nessa área. Um esforço que envolve o Brasil é muito mais poderoso e impactante do que um que não envolve". O Itamaraty alega que o documento não é da ONU e necessita de melhorias, por isso o Brasil optou por não assiná-lo. Nós, meros mortais, assistimos a tudo e nos perguntamos até quando interesses financeiros e incompetência deixarão que a mais rica biodiversidade do mundo seja extinta da face da terra.

Como disse Marcio Astrini, coordenador do Greenpeace, o Brasil deveria não só ter assinado a declaração, como ter pressionado para que o documento fosse ainda mais ousado, assim se colocaria na posição de modelo de desenvolvimento sustentável. Para ele o acordo deixa a desejar, mas já é um importante passo rumo ao fim do desmatamento no mundo.

A presidente Dilma Rousseff declarou ainda que "O crescimento das nossas economias é compatível com a redução das nossas emissões. Ao mesmo tempo em que diminuímos a pobreza e a desigualdade social, protegemos o meio ambiente", chamou a atenção de que a Amazônia não deve ser a única preocupação com relação a mudança climática, precisamos voltar nossos olhos para a Bacia do Congo também.

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Isso tem um certo fundamento, pois a preocupação deve ser com todas as áreas que sofrem com o desmatamento, mas pareceu-me um argumento puramente defensivo da má política de preservação ambiental brasileira, onde como uma criança, se defende, atacando o outro, ou chamando atenção para outro assunto.

Quem vive no Brasil e acompanha a política nacional, acha que mora em um país diferente do que o pintado pela presidente Dilma. O país que ela diz existir é uma utopia. Nós brasileiros vivemos em um outro país, onde corrupção, incompetência, violência, pobreza, fome, falta de moradia, são fatos em nosso cotidiano. Tomara que ainda venhamos a viver neste Brasil pintado nos quadros de nossos políticos, onde a política de proteção ambiental também seja prioridade e onde o respeito ao povo brasileiro seja mostrado com fatos e não falsas promessas. #Natureza