O Conselho Nacional de #Educação, órgão consultivo do Ministério da Educação e da Ciência, publicou hoje o relatório Estado da Educação 2013. Presidido por David Justino, ministro da Educação durante o governo Barroso (2002-2004), o relatório aponta duas realidades preocupantes. Em primeiro lugar, o facto de escolas secundárias distorcerem os resultados dos testes, de forma a nivelarem por baixo o grau de exigência, por um lado, mas por outro a aumentar o número de "chumbos" de forma a que as suas médias nos exames sejam mais elevadas, ao evitar levar os alunos com mais dificuldades a exame. E em segundo lugar, o facto de universidades e politécnicos privados elevarem as notas dos seus alunos que virão a candidatar-se, futuramente, a vagas como professores, uma vez que as notas obtidas serão um dos critérios de avaliação e ponderação - desta forma, favorecendo o seu percurso futuro.

O relatório do Conselho Nacional de Educação aponta, ainda, para o primeiro ciclo, sublinhando os resultados relativamente negativos obtidos nos exames finais. David Justino lembra que será necessário confirmar se os exames eram demasiado difíceis para o que se pode esperar no 4º ano ou se, de facto, existe algum problema com o ensino ministrado no primeiro ciclo. O primeiro ciclo é o mais decisivo dos períodos em termos de estruturar as capacidades de aprendizagem, de o aluno aprender as bases de tudo o que virá a necessitar mais tarde.

David Justino termina, de forma curiosa, com um reconhecimento à evolução positiva dos resultados do sistema português relativamente à média da OCDE, sublinhando que "outros domínios da actividade nacional dificilmente se aproximam" dos países da OCDE da forma como a Educação o tem feito. Não se sabe se Justino pretendia terminar de uma forma irónica ou humorística, tendo em conta a acusação que deixou no ar relativamente às escolas. A sua declaração final, na verdade, insinua que só mesmo recorrendo a uma inflação artificial, distorção ou "batota" nos resultados é que os resultados escolares se poderiam destacar das restantes actividades na comparação com a média da OCDE.