Neste último domingo foi celebrado um evento em homenagem aos idosos na Praça São Pedro no Vaticano. O Papa Francisco mostrou toda sua preocupação com o tratamento dispensado aos idosos ao redor do mundo, e com razão, pois muitos são os casos de abandono de idosos por toda a parte. Todos têm sua parcela de culpa nesta situação difícil. Em um mundo onde não há tempo a se perder com a família, isto já era de se esperar. Tudo vem primeiro do que um pequeno e singelo momento ao lado dos familiares. O trabalho é exaustivo e não podemos deixá-lo de lado, o dinheiro é extremamente necessário e não podemos deixá-lo de lado, e tantas outras coisas são prioridade.

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A família é importante para muitos, mas às vezes nos esquecemos de incluir neste conceito familiar aqueles que nos deram a vida, cuidaram de nós e agora precisam ser cuidados... Coisas da vida? Não, não pode ser. A vida sempre será melhor se tivermos a consciência de toda a bagagem que carregamos e faz de nós o que somos hoje, e isto inclui nossos pais, nossos avós, toda nossa família.



O próprio Papa Francisco mostrou-se muito feliz com o encontro entre ele e Bento XVI, que não aparecia em público desde a canonização de João XXIII e João Paulo II em abril. Aos 87 anos, Bento XVI chegou de bengala, muito sorridente e foi recebido com um caloroso sorriso de seu sucessor. Ele sentou-se um pouco afastado, mas perto o suficiente para ouvir os relatos dos idosos presentes na praça.

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Os que foram convidados a falar, contaram suas angústias e mágoas, dificuldades encontradas e também sobre seus momentos de alegria na velhice.



O Papa chamou de "eutanásia disfarçada" o abandono aos idosos e disse que apesar das dificuldades e problemas de saúde enfrentados pelos idosos, eles ainda "são árvores que continuam a dar frutos". E continuou, dizendo que "um povo que não lida bem com seus idosos é um povo sem futuro...porque ele perde a memória". Pediu pelos idosos, dizendo que aqueles idosos que não têm família, precisam ser integrados em abrigos ou lares para idosos, mas que "não sejam como prisões, mas pulmões da humanidade em uma cidade, um bairro, uma paróquia."



Ao som das potentes vozes dos tenores Andrea Bocelli, Maximo Ranieri e Claudio Baglioni, o evento foi muito bonito e sensibilizou a muitos que ouviram os relatos de idosos que passaram por extremas dificuldades, como as vividas por um casal que conseguiu fugir de uma região do Iraque atacada pelos Jihadistas.

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Ambos com 70 anos e pais de 10 filhos, tiveram que na velhice enfrentar seus medos e as mais difíceis situações para sobreviver ao terror.



Chamando de "eutanásia disfarçada" o ato de jogarmos nossos velhos em asilos, e enfatizando que isto é o efeito de nossa cultura de desperdício, ele gentilmente e educadamente tenta "chacoalhar" nossas cabeças e corações, para ver se o gelo há tanto tempo preso ali, se desprende e dá lugar a algum calor humano. É bom termos em mente que seremos os velhos de amanhã e se quisermos ser respeitados e tratados dignamente quando a velhice bater à porta, melhor que enquanto novos, tratemos devidamente os nossos idosos, pois o que aqui plantarmos, aqui colheremos.