Estão inscritas cerca de 220.000 pessoas para votar nas eleições "primárias", que vão decidir quem será o próximo líder do PS. Aos 90.000 militantes socialistas, juntam-se os 130.000 simpatizantes que se inscreveram, em papel ou online, para votar. O sufrágio, que irá opôr António Costa, actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a António José Seguro, actual secretário-geral (e líder) dos socialistas, decorre no próximo dia 28 de Setembro. O formato, inovador para Portugal, vem de alguma forma "copiar" o modelo habitual das eleições dois grandes partidos dos Estados Unidos da América. No ano anterior às eleições, o partido que estiver na oposição (Democrata ou Republicano) escolhe, através de eleições abertas aos simpatizantes do respectivo partido, o seu candidato às eleições do ano seguinte - que serão disputadas contra o presidente em exercício, se se puder recandidatar.

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Assim vai acontecer em Portugal, pela primeira vez.

O resultado do PS nas eleições europeias, sendo uma vitória pela margem mínima, levou os opositores de António José Seguro a considerar - supondo que a vitória deveria ter sido esmagadora - que haveria espaço para a mudança.

Contudo, e apesar do "hype" criado em torno de Costa, a grande novidade desta questão é o relativo desinteresse com que o tema tem sido tratado na comunicação social e na sociedade civil. Décadas de degradação da credibilidade da classe política levam, não só à abstenção eleitoral, mas à indiferença militante com que determinadas questões são tratadas. Se, nos Estados Unidos, ainda existe algum espaço para o debate ideológico dentro de cada um dos partidos do "sistema", ou do "arco da governação", em Portugal a opinião e a análise dos debates já realizados são consensuais: a única diferença entre os candidatos é o carisma, a personalidade, a imagem de dureza ou de vencedor que podem transmitir. Nada que mobilize os cidadãos, actualmente. O número de militantes e simpatizantes inscritos para votar espelha isso mesmo: se expurgarmos os eleitores-fantasma e, de acordo com os estudos efectuados nas últimas eleições, apontarmos 8,37 milhões de eleitores em Portugal, é 2,62% do eleitorado que vai escolher o candidato do maior partido da oposição.