Quem aí já não assistiu ou ouviu falar do filme "Horizonte Perdido", baseado no livro do inglês James Hilton, publicado em 1925? Eu assisti ao filme na época do lançamento, e me apaixonei pela história. Um lugar escondido nas montanhas do Himalaia no Tibete, um paraíso perdido em meio a uma imensidão gelada. Um oásis quente, onde as pessoas levavam suas vidas com simplicidade e a saúde de seus moradores era notável, a longevidade era característica, e todos viviam felizes. Utópico demais para você? Pois é, mas quem diria, existe algo bem semelhante na realidade, chama-se "Vale de Hunza" e, espantem-se...fica no Himalaia. Trinta mil pessoas vivem neste pequeno paraíso perdido em meio ao gelo.

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Em um Vale situado a 2.500 metros de altura, na parte do Himalaia que fica ao norte da Índia, na fronteira entre Índia, Caxemira e Paquistão, vive o povo do Vale de Hunza, nas montanhas conhecidas como Kush Hindu.

Este povo amigável, é conhecido por sua longevidade, sua aparência jovial e sua saúde. Segundo Chrisitan H. Godefroy, autor do livro "Os Segredos de Saúde dos Hunzas", não é raro os anciões atingirem os 130 anos e alguns deles até chegarem aos 145 anos. Aos 100 anos pessoas brincam e jogam a céu aberto, o tempo parece correr mais lentamente por lá. Quase nunca ficam doentes e mantêm uma aparência jovial por muito mais tempo do que no resto do mundo. Uma mulher de 80 anos ou mais, estando em forma, o que acontece com a grande maioria, passa por uma mulher ocidental de 40 anos facilmente.

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As mulheres Hunzas, mesmo as mais velhas, são esbeltas e elegantes, caminham com muita agilidade e com porte nobre, possuem uma altivez natural, não conhecem a obesidade, nem a celulite. A palavra "dieta", não é conhecida por eles. Os homens também são privilegiados, mesmo os mais velhos têm resistência e vigor. É fato comum um homem ser pai aos 90 anos ou mais.

Os Hunzas não conhecem doenças como a artrite, varizes, úlceras e apendicites. Suas crianças também não sabem o que é ter caxumba, sarampo ou varicela. Aparentemente existe no Vale de Hunza um algo mais, talvez por sua alimentação, toda à base de frutas e verduras cruas ou pouco cozidas, além do principal, que são os cereais. Um diferencial, talvez, seja o consumo diário de caroço de abricó, que segundo Chrisitan H. Godefroy, está sempre presente à mesa dos Hunzas. A primeira refeição que fazem é ao meio dia, sendo que levantam-se para o trabalho às 5 horas da manhã e trabalham muito na agricultura, subindo e descendo as montanhas de estômago vazio.

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Só fazem duas refeições ao dia. Alimentam-se também de queijos e leite, além de muito iogurte, nozes, amêndoas e avelãs. A carne não é totalmente banida de sua dieta, mas se consumida, nunca é de vaca ou carneiro, até pela dificuldade de encontrá-las, e sempre é cozida lentamente e comida em pequenas porções. Na base de sua alimentação encontra-se um pão de cereais e milho, o chapatti, que segundo especialistas, pode ser a razão da virilidade dos homens Hunzas e a possível explicação para que um homem de 90 anos possa ainda, fecundar uma mulher.

É um povo feliz, que cultiva o respeito aos mais velhos, sendo que os mais jovens realmente os admiram. Um lugar onde não existe aposentadoria, simplesmente à medida em que os trabalhos vão ficando mais difíceis de serem executados, eles vão se adequando ao que ainda podem realizar, mas continuam com seus exercícios diários, mesmo os de mais alta idade. Qual o segredo para esta longevidade e saúde? Será a alimentação? Provavelmente não, mas talvez o conjunto de sua alimentação, que é de moderada à pouca, os exercícios diários, a alegria em viver e toda a maneira como a sociedade Hunza se integra, com base no respeito ao próximo e disposição para o trabalho, somados ao clima, e algo de encantado no lugar, sejam o que os leva a chegarem aos 145 anos e ainda com alegria de viver.

Será que o escritor James Hilton conhecia o Vale de Hunza? Parece que não. Segundo ele, baseou-se no que um amigo lhe contou, para escrever "Horizonte Perdido". Talvez este amigo tenha ouvido falar, ou tenha estado no Vale de Hunza, e James Hilton, ouvindo suas histórias sobre longevidade, saúde e alegria, criou toda uma trama, onde aumentou um pouquinho os fatos e inventou "Shangri-lá", um paraíso perdido, não tão perdido assim. #Natureza