O sindicato dos funcionários judiciais aponta para cerca de 85% o número de funcionários que aderiram à greve marcada para hoje, sexta-feira. As informações foram transmitidas pelo sindicato à Agência Lusa. A principal reivindicação do sindicato é a falta de funcionários judiciais. O sindicato refere a existência de uma lei que determina um número mínimo de funcionários judiciais que não estará a ser cumprida. A reivindicação secundária prende-se com as falhas na plataforma electrónica CITIUS, que serve de base ao funcionamento do sistema judicial. A crise do CITIUS significa que os funcionários têm de reverter para o trabalho manual, acusando a tutela de, sendo em número insuficiente, essa insuficiência verificar-se agora com maior acuidade, havendo funcionários que trabalham com até cinco juízes em simultâneo.

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Além destas questões, o sindicato referiu também questões profissionais, habituais neste tipo de greves, como as condições de aposentação ou o acesso a categorias de chefia, e também a falta de investimento geral da modernização dos equipamentos e das infraestruturas.

O sindicato refere adesões acima de 90% em Lisboa (no Campus da Justiça e no Palácio da Justiça), de 100% no DIAP do Porto, e no Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra.

O sindicato não mencionou a oportunidade de marcar uma greve para uma sexta-feira, desta forma constituindo, para os funcionários que ficaram em casa, um fim-de-semana prolongado - mesmo sabendo que o dia não é pago, o que para muitos funcionários públicos (em especial os de menores rendimentos) é um obstáculo na hora de fazer greve.

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Não foi também comentada a possibilidade de um CITIUS realmente eficaz poder, efectivamente, tornar mais justo e adequado o trabalho dos funcionários. Até ao momento, não se sabe também a reacção do Governo relativamente aos números que apresenta em termos de adesão à greve, que serão, como sempre acontece, muitíssimo inferiores àqueles apresentados pelo sindicato.

Está agendado também um dia de paralisação para cada uma das 23 comarcas judiciais, a partir do próximo dia 1 de Outubro.