À beira do dia em que os brasileiros irão decidir quem serão seus governantes, fica claro que não existem informações livres de intenções. Exemplo disso é uma análise simples que pode ser feita sobre duas notícias publicadas recentemente (dias 29 e 30 de setembro de 2014).

Em matéria do dia 30/09/2014, uma jornalista, associa as oscilações negativas da Bovespa à recente ascendência das intenções de votos da candidata Dilma Rousseff (PT) e a déficits do governo. Destaca ainda, que mesmo o otimismo gerado pela recuperação da economia dos EUA não foi capaz de atenuar tal pessimismo. Uma análise simples de causa e efeito: A candidata sobe, a bolsa cai.

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Mas até onde se pode afirmar tal questão? Esse tipo de análise causal, já deixada de lado por grupos de economistas (mesmo os mais ortodoxos) após a crise desencadeada pela bolha imobiliária da década passada (ou as demais), deixa o leitor sem margens para interpretação. Demonstra uma falta de rigor que beira à falácia: não são destacados outros dados na notícia, não são feitas análises sobre o cenário econômico internacional. Apenas uma associação, "livre" (livre?). A notícia veicula, ao utilizar-se de um suposto vice-presidente de certa instituição (recurso utilizado para legitimar uma análise de algum "especialista" que o leitor jamais saberá quem é e que representa uma instituição desconhecida do grande público) : "No caso de Marina ser eleita, as expectativas serão muito altas para seu governo (...).

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No caso de Dilma vencer, será o oposto". Talvez a jornalista tivesse outro viés de análise, ao se observar outra notícia do mesmo jornal, mas do dia anterior. Esta associa a queda do preço das commodities a questões externas, ou seja, ficam nítidos apenas elementos observados no âmbito externo.

Vejamos: se de um lado tem-se o minério de ferro que caiu 40% no ano; os contratos do petróleo abaixo dos U$95,00; os de soja (-20%), milho (-27%) e trigo (-25%) registrando oscilações negativas absurdas; a China, principal país emergente, e grande comprador do Brasil, começando a arrefecer seu crescimento, de outro lado pululam entidades como o BCE (Banco Central Europeu), Fed, mercados financeiros globais, analistas estrangeiros. E nada de Brasil. Retomando os economistas ortodoxos, e no caso da segunda notícia eles estariam antes dos liberalistas que já destacavam relações entre ofertas e demandas entre países. A pergunta que fica é: onde está o Brasil diante disso? Não é estranho que tudo o que acontece lá fora esteja somente lá fora? Onde anda a famigerada globalização nesse momento?

Trocando em miúdos: o mar de notícias econômicas ruins que seriam de estarrecer o mais otimista de todos os especialistas, não está associado a questões internas.

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Nada de Brasil ali ou de relação entre aqueles indicadores e os resultados da bolsa do Brasil. Todavia, a queda das bolsas brasileiras ocorrem em função direta do enviesado termo que se tenta cunhar, o "kit #Eleições". A depender das análises realizadas, o "tombo   de segunda-feira" trata da ascensão de uma candidata. Já os problemas econômicos externos são externos.  Não influenciam aqui.

Diante de análises realizadas de forma tão planejada, parece que os eleitores do Brasil vão precisar escolher muito mais do que "em quem" irão votar. Trata-se de compreender melhor "em que" tipo de argumento basearão seu voto.