O governo da Catalunha já decidiu qual a medida a tomar, depois de ter anunciado o cancelamento do referendo que havia marcado para decidir o futuro da região. Artur Mas vai convocar uma "consulta popular", na qual os catalães serão chamados a responder à mesma pergunta que iriam responder no referendo. Na prática, os Catalães vão votar na mesma, com a diferença que é o próprio governo regional que reconhece que não se trata de um acto com validade constitucional ou legal mas apenas de uma consulta. "Vão existir boletins de voto e urnas a 9 de Novembro", foi a mensagem simples e eloquente do presidente do governo regional.

Mariano Rajoy, primeiro-ministro de Espanha, já se havia congratulado com as «boas notícias» que haviam chegado de Barcelona, sublinhando que o país é uma democracia e um país avançado e a necessidade de cumprir a lei.

Publicidade
Publicidade

Pouco depois, Artur Mas aproveitava para responder à letra, sem mencionar directamente o primeiro-ministro, referindo que «por vezes, as boas notícias duram apenas algumas horas.»

Artur Mas continua assim a sua caminhada no sentido da desagregação da Espanha, país com mais de 500 anos de história. Actualmente, e como muitos outros políticos nas democracias ocidentais, actua como pivot entre os seus aliados mais radicais (recorde-se que o seu partido lidera uma coligação partidária dentro da Generalitat) e, naturalmente, a oposição do governo espanhol. Ao longo de dois anos de confrontações, primeiro com motivações fiscais e de distribuição de recursos, Mas parece ter-se convertido totalmente à causa do separatismo, mas sem querer dar qualquer passo que possa levar a uma crise grave ou de consequências imprevisíveis - como seria o caso se a Esquerda Republicana estivesse à frente do governo de Barcelona.

Publicidade

Contudo, a prossecução do voto, mascarado de forma a não ser ilegal, é acima de tudo a mensagem que Mas envia: os separatistas não estão dispostos a desistir, para já.

O próximo episódio realiza-se a 9 de Novembro, com a convocação da consulta popular e com o apoio, segundo Mas, de 20.000 voluntários que ajudarão a erguer mesas de "consulta" para quem quiser votar.