A Ministra da Justiça continua sem ter uma data para o restabelecimento do Citius. Como tal, manda o bom senso que se tenha publicado em Diário da República, hoje quinta-feira, um diploma suspendendo os prazos normais de funcionamento do sistema judicial enquanto a plataforma electrónica não estiver em condições de funcionamento. Paula Teixeira da Cruz falou no X Congresso dos Juízes, mas o tema do Congresso acaba por passar ao lado de um tema com uma abrangência e urgência muito maior para empresas e cidadãos em geral. A medida aplica-se a processos com data entre 26 de Agosto e 15 de Setembro, directamente afectados pela quebra no sistema electrónico.

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A ministra explicou ainda que esta situação - a suspensão de prazos por motivo justificado - já se encontra prevista no Código de Processo Civil (nem faria sentido que não o estivesse), e que se trata apenas de clarificar algumas dúvidas que surgiram por parte dos operadores. Teixeira da Cruz prefere agora apresentar a máxima cautela no lançamento de uma nova data, depois de ter sido "enganada" com uma data de 1 de Setembro que depois se revelou insuficiente. Contudo, em várias comarcas (no Interior e nos Açores) o sistema já se encontra a funcionar a 100%.

Na sequência deste caso grave, muitos pedem a cabeça da ministra, tal como muitos pediram a cabeça de Paulo Bento à frente da selecção, e como milhares de outros exigiram o despedimento de Jorge Jesus depois de ter perdido três finais.

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Contudo, se não se pede à ministra da Justiça que perceba de administração de redes ou de programação informática, é necessário que assegure que estão as melhores pessoas e os recursos suficientes empenhados na questão.

Por estes dias, existem outros responsáveis aparentemente na mira da opinião pública - com o dr. Ricardo Salgado a trabalhar activamente a partir do seu quarto. Por um lado, as despesas de representação que Pedro Passos Coelho "auferiu" por parte do Conselho Português para a Cooperação, e cujos documentos comprovativos não existem. Por outro, a revelação pelo próprio dr. Salgado - e com documentos - que existiu uma outra pessoa - além do clã Salgado - a receber uma comissão dos alemães por parte dos submarinos. São situações difíceis de gerir para o governo, e ao pés das quais os problemas do Citius parecem diminuir de importância - embora estejam a interferir com a vida de milhares de portugueses.