O governo, concretamente o Conselho de Ministros, esteve reunido ontem durante cerca de 18 horas - entre as 09h e as 03h da madrugada de Domingo - com paragens para almoço e jantar, para concretizar a proposta para o Orçamento de Estado de 2015. Num breve comentário aos jornalistas, após o almoço, o primeiro-ministro Passos Coelho mencionou que faltava ainda "qualquer coisa" - escusando-se, naturalmente, a detalhar os assuntos que estariam por debater com os seus ministros. A reunião contou também com a presença dos adjuntos de alguns ministros, que iam entrando na sala para debater dossiers específicos relacionados com o ministério do qual faziam parte.

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Não consta, sequer, que Pedro Passos Coelho e a sua equipa tenham feito alguma paragem para assistir ao jogo da selecção nacional de futebol.

A presidência do Conselho de Ministros não fez qualquer declaração à saída da reunião, tendo emitido apenas um comunicado indicando que a reunião tinha terminado com a aprovação da proposta de lei do Orçamento de Estado e com a aprovação das Grandes Opções do Plano para 2015, depois de consideradas as observações do Conselho Económico e Social.

Espera-se que seja mantido o objectivo de cortar o défice para 2,5% do PIB, que deverá por seu lado crescer 1,5% - esperando-se, entretanto, inverter uma tendência com uma década de meia, voltando Portugal a crescer acima da média europeia - e aproveitando um período de incerteza nas principais economias europeias, enquanto os países da Europa da Sul tentam, a custo, aproveitar o "momentum" do alívio dos resgate financeiros e da pressão dos juros das suas dívidas públicas.

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Espera-se também que a proposta mantenha o congelamento dos salários da função pública, das pensões, os cortes nas pensões acima dos cerca de 4600 euros. E apesar de o ambiente geral ser ainda no quadro de austeridade, acredita-se ainda que o Governo tente fazer descer a sobretaxa de IRS de 3,5% para 2,5% e do IRC dos 23 para os 21%.

A proposta de Orçamento do Estado para 2015 deve ser entregue no Parlamento até à próxima quarta-feira.