Assistimos recentemente à discussão do orçamento comunitário no Parlamento Europeu, bem como à apresentação de emendas retificativas. Entre algumas das alterações apresentadas, salientamos a proposta de redução de custos com os Eurodeputados, que foi amplamente rejeitada.

A proposta de redução de custos com os Eurodeputados estava dividida em três categorias, que eram: redução das ajudas de custo, redução do vencimento e despesas gerais (apresentação de documentos comprovativos e redução de montantes). As três categorias foram lamentavelmente rejeitadas.

Como se não fosse suficiente lamentar esta postura em geral dos Eurodeputados, temos de lamentar muito mais as votações efetuadas pelos Eurodeputados portugueses.

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Como seria de esperar, os Eurodeputados do PSD e CDS votaram contra as reduções de custos, ou seja, tudo aquilo que continua a ser exigido internamente ao povo português não se aplica quando em causa se encontra o seu próprio "bolso".

Normal foi também o facto dos Eurodeputados do Bloco de Esquerda e da CDU votarem a favor dessa mesma redução, uma vez que as emendas em questão partiram inclusivamente da sua "ala" no Parlamento.

No entanto, de espantar foi a postura dos Eurodeputados do maior partido da oposição em Portugal. O Partido Socialista que conta neste momento com oito mandatos, conseguiu estar em total desacordo interno, ou seja cada qual votou consoante a sua convicção sem seguir qualquer diretriz interna. Um partido que se apresenta como alternativa em Portugal relativamente às atuais políticas de aumentos de impostos e redução do poder de comprar da população, quando tem possibilidade de demonstrar que possui ideais diferentes dos que imperam atualmente, apresenta-se numa linha de voto ao lado dos partidos que se encontram no poder em Portugal.

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Assim sendo, que alternativa é essa que indicam ser?

Para uma melhor perceção da posição dos Eurodeputados eleitos pelo povo português, segue abaixo um pequeno resumo das suas votações:

Redução dos vencimentos: apenas BE e CDU votaram a favor;

Redução das ajudas de custos: votaram a favor BE, CDU, Ana Gomes e Maria João Rodrigues (ambas Eurodeputadas do PS);

Despesas Gerais (Obrigatoriedade de apresentação de documentos): BE, CDU, Ana Gomes e Maria João Rodrigues (ambas Eurodeputadas do PS);

Despesas Gerais (redução de valores): BE, CDU, Maria João Rodrigues (PS) e José Inácio Faria (MPT).

Para finalizar devemos também mencionar a estranha ausência de Marinho e Pinto, Eurodeputado independente eleito pelo MPT. Marinho e Pinto que tanto se tem apresentado contra os valores auferidos pelos Eurodeputados, faltou a este debate e posterior votação. Situação que de facto não se compreende uma vez que o Eurodeputado em questão, tanta publicidade fez durante a apresentação do seu novo partido politico, em que seria o principal denunciador das despesas milionárias que continuam a ser alimentadas no Parlamento Europeu.