Dilma Rousseff venceu a segunda volta das eleições presidenciais no Brasil e foi assim reeleita para um segundo mandato. A candidata do PT (Partido dos Trabalhadores, de centro-esquerda) conseguiu 51,64% dos votos, contra 48,36% do candidato do PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira, de centro direita). A vitória de Rousseff marca assim um período de 16 anos de governo do PT, depois dos dois mandatos de Lula da Silva (2002-2010) e agora com os dois de Dilma (2010-2018).

As eleições foram uma das mais conturbadas e animadas deste século, esperando-se um forte interesse por parte dos brasileiros depois dos protestos sociais que assolaram o país, em especial durante as competições internacionais de futebol: a Taça das Confederações, em 2013, e o Campeonato do Mundo, nos passados meses de Junho e Julho.

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A campanha começou com o acidente aéreo que vitimou Eduardo Campos, candidato do PSB (Partido Socialista Brasileiro), e a sua substituição por Marina Silva. O fenômeno Marina foi a grande surpresa da primeira volta, quer pela sua fulgurante ascensão nas sondagens, quer pelo seu súbito e surpreendente desaparecimento, ficando com 21,34% dos votos contra os 33,55% de Aécio Neves, do PSDB. Alguns comentadores aventaram que o eleitorado preferiu a estabilidade e a campanha tranquila e virada contra Dilma de Aécio ao populismo de Marina Silva; outros referiram que uma grande parte do novo eleitorado de classe média é ateu ou agnóstico, e fugiu da postura religiosa (cristã evangélica) da candidata socialista.

Aécio Neves conseguiu mais votos, de uma forma geral, no sul e no centro-oeste, com Dilma a garantir a vitória no Norte e Nordeste.

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Nos estados mais importantes do Sudeste, é de notar que Aécio Neves conseguiu 64% dos votos no estado de S. Paulo, o mais populoso e responsável pela maior produção de PIB entre os estados brasileiros. Contudo, Dilma obteve mais votos nos estados do Rio de Janeiro (com 54,9%) e em Minas Gerais (com 52,4%).

No seu discurso de vitória, Dilma Rousseff sublinhou a importância de prosseguir com a reforma política, um projecto de mudanças no sistema político e eleitoral que contribua para uma maior transparência. Esta é uma das maiores exigências expressadas nos protestos dos últimos anos, com o eleitor comum consciente e cansado do ambiente de corrupção generalizada e que atingiu o topo do sistema com o caso "Mensalão".