O vírus do ébola depende de contato direto com o sangue, ou fluídos corporais do doente, tais como fezes e urina. É um vírus muito resistente e capaz de contaminar pessoas mesmo após a morte do doente, ou sua cura. Só não há risco de contaminação após o vírus ser totalmente expulso do organismo da pessoa contaminada. O ser humano se contamina quando entra em contato com animais infectados pelo vírus e como o período de incubação dura de 2 a 21 dias, o contágio dos que nos rodeiam durante este período é muito provável, principalmente em locais onde as condições de higiene deixam a desejar. Este é, sem dúvidas, o maior surto de ébola já vivido pelo mundo, o que levou a OMS (Organização Mundial de Saúde) à declarar "estado de emergência sanitária mundial", uma vez que esta doença apresenta 90% de taxa de mortalidade.

Os primeiros sintomas da doença são febre, dor de cabeça, dor de garganta, fraqueza muscular e calafrios, lembrando em muito uma gripe, o que faz com que o diagnóstico seja difícil e tardio, pois só após 5 ou 10 dias dos primeiros sintomas, é que o estado clínico do paciente fica pior e os sintomas tornam-se facilmente diagnosticados como ébola, são eles: náuseas, vômitos, diarreias, erupções na pele, dores no peito e estômago, insuficiência hepática e renal e finalmente o sangramento pelos olhos, ouvidos, nariz e reto. Não existe um tratamento para a cura da doença até agora. Quando alguém é infectado, o tratamento indicado é a hidratação, a reposição dos fluídos do corpo e o tratamento das infecções que evoluem durante a doença. Medicamentos estão sendo testados em pessoas infectadas com o vírus, na tentativa de uma cura efetiva para a doença.

Na Espanha, ocorreu o primeiro caso de contaminação fora da África. Uma enfermeira espanhola que ajudou a tratar de dois padres contaminados com o vírus na África, e que foram repatriados para a Espanha, contraiu o vírus em solo espanhol, durante o tratamento destes doentes. A União Europeia pede explicações à Espanha sobre esta falha de segurança na contenção do vírus. Os padres faleceram no Hospital de Madrid onde foram tratados e, foi lá que a enfermeira que era membro da equipe responsável pelo tratamento dos doentes, contraiu o ébola. Frederic Vincent, porta-voz da Comissão Europeia, disse que "aconteceu, evidentemente, uma problema em algum momento" e já enviou uma mensagem ao Ministério da Saúde Espanhol, para que esclareça o que tornou possível este primeiro contágio fora da África. Três pessoas que tiveram contato com a enfermeira estão hospitalizadas em Madrid e sob observação. Uma delas é o marido da enfermeira, e os outros dois são outro funcionário da área de saúde e um viajante proveniente das áreas afetadas pelo vírus na África.

A situação é preocupante. Nos EUA já haviam anunciado o aparecimento de um caso de ébola, mais precisamente no Estado do Texas. O doente é um liberiano que viajou para os EUA e só apresentou os sintomas já em território americano, e encontra-se hospitalizado em estado grave. Nove pessoas que tiveram contato com ele estão sob observação, e mais 40 pessoas estão sendo monitoradas devido a potenciais contatos. Nenhuma delas apresentou sintomas até o momento.

Agora é a vez da Espanha e de uma situação totalmente nova, pois a contaminação ocorreu em solo espanhol, e o que era apenas um caso isolado, já se somou a mais três.

As medidas de prevenção deverão ser reforçadas no mundo, pois a globalização, tão boa para outras coisas, tornou-se fator primordial na disseminação de possíveis epidemias a nível mundial. Será que não seria a hora de aplicar uma "quarentena" durante o período de incubação do vírus, neste caso, 20 dias, à todos aqueles entrassem em nosso país, provenientes das regiões infectadas? Radical demais? Talvez, mas o que já foi visto em filmes, pode sim acontecer na vida real. Não devemos correr riscos desnecessários e não podemos nos fiar nas "improbabilidades". A gravidade desta doença pede medidas radicais para a proteção da população mundial e cabe aos governos começarem a aplicá-las enquanto há tempo, seja uma quarentena, ou a proibição de voos para as regiões infectadas ou provenientes delas.