João Grancho, secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, apresentou a sua demissão do Governo, invocando "razões de foro pessoal". A demissão surge no mesmo dia em que o jornal Público noticiou um caso de plágio cometido por parte do governante, em 2007. Enquanto painelista num seminário sobre #Educação, decorrido em Espanha, em 2007, e na qualidade de presidente da Associação Nacional de Professores, Grancho interveio recorrendo a extractos de textos que copiou integralmente de outros autores, sem citar os seus nomes ou as fontes. O tema foi "a dimensão moral da profissão de docente". Grancho sublinha que a sua decisão não tem qualquer razão política nem está de forma alguma relacionada com o desempenho das suas funções, mas apenas por "sentido de serviço público."

João Grancho havia respondido ao jornal no próprio dia, sublinhando que o documento em causa não se tratava de um trabalho académico, mas sim de um "suporte prévio a uma intervenção oral", sendo o "alinhamento organizado" das ideias dos seus autores.

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O ex-secretário de Estado sublinhou também que o documento "não reproduz a intervenção livre" que foi desenvolvida no seminário, argumentando assim que se tratava apenas de uma "cábula" ou uma lista de notas a uma apresentação oral.

Surge assim a primeira demissão no Ministério da Educação depois do caso, que continua sem estar resolvido, da colocação de professores nas escolas - numa altura em que muitos estudantes continuam a ter aulas de forma parcial ou limitada. Ironicamente, também, a demissão não está relacionada, portanto, com essa situação mas com razões de ordem pessoal. A própria Fenprof (Federação Nacional de Professores), na pessoa do seu líder Mário Nogueira, em reacção à notícia, lamentou que a demissão tivesse surgido por esse motivo e não pelos motivos políticos que, na sua opinião, o justificariam. Mário Nogueira citou a Prova de Avaliação de Capacidade e Conhecimentos, os "exames dos professores" que causaram polémica entre a classe e na opinião pública, e também os limites ao investimento na educação especial.