Volto a falar do assunto do desmatamento, por achá-lo de tremendo interesse do povo brasileiro e do mundo todo, pois a cada novo dia o Greenpeace prova que não é impossível descobrir e controlar o desmatamento em solo brasileiro. Se o Greenpeace Brasil consegue monitorar e seguir as atividades ilegais de extração de madeira no oeste do Estado do Pará, porque o governo brasileiro não consegue?

Na campanha lançada este ano pelo Greenpeace "chega de madeira ilegal", já foi denunciada a fraude na venda de madeira ilegal com o selo de legal, agora ele mostra que ao anoitecer nas áreas de extração ilegal de madeira, caminhões saem nas estradas, carregados de toras, em direção às madeireiras e ninguém vê, ou pelo menos finge que não.

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De acordo com o Greenpeace, uma área equivalente a 64 mil campos de futebol, foi desmatada entre 2007 e 2012 na floresta amazônica.

A empresa receptora da madeira ilegal é a Rainbow Trading Importação e Exportação Ltda e entre seus compradores estão: Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália, Espanha, Portugal, Reino Unido, Estados Unidos, Japão e China. Toda a madeira receptada por esta empresa vem de regiões da floresta sem registro de CAR (Cadastro Ambiental Rural), e também sem nenhum plano de manejo licenciado pela Secretária do Meio Ambiente do Pará (SEMA-PA). Isto já caracteriza "crime de extração ilegal de madeira" e pasmem, toda essa madeira está em terras públicas da União sem destinação ou autorização para exploração, e os órgãos públicos "não sabem" do que ali acontece, bem "debaixo de suas barbas"...difícil acreditar, até porque o Serviço Florestal Brasileiro (SBF) possui o mapeamento das terras públicas, atualizado e publicado em seu site.

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Ainda de acordo com informações do Greenpeace, a empresa Rainbow Trading Importação e Exportação Ltda, possui um montante de multas em processo de julgamento, aplicadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) de 2007 para cá, no valor de R$ 400.535,44. Mesmo assim, ainda é concedida licença para que esta firma trabalhe no comércio atacadista interestadual e internacional de madeiras, sendo esta sua atividade cadastrada na Receita Federal brasileira e sendo considerada uma beneficiadora de toras de madeira com capacidade "legal" de processar até 90 m³ por dia, pela Secretária do Meio Ambiente do Pará. Me parece um tremendo contrassenso, não é?

Em seu relatório "Transporte e receptação de madeira ilegal no Pará", o Greenpeace descreve todo o processo de vigília e monitoramento de caminhões utilizados pelas madeireiras nesta região. Ele inclusive cita placas e modelos de dois caminhões onde foram colocados rastreadores via satélite, que emitem sinais de localização com frequência em minutos.

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O monitoramento das rotas é feito em tempo real, e pode-se ver os caminhões entrando em terras públicas da União sem autorização para exploração e ao anoitecer, saindo em direção a Santarém, onde fica a Rainbow, para descarregar em seus pátios, as toras extraídas ilegalmente. Este ato ilegal, foi confirmado com análise de imagens de radar-RadarSat 1 e com voos sobre as áreas da floresta.

A grande questão, ao meu ver, é quais interesses e de quem, impossibilitam ao governo uma operação para desmantelar esta quadrilha? O Greenpeace acabou de provar que todo o processo, desde a extração da madeira até o descarregamento das toras nos pátios da empresa receptora, é facilmente monitorado, o quê então impede que acabemos com a "farra" destes "contrabandistas" de madeira? Que não me venham dizer que seria uma operação cara, difícil, de logística trabalhosa...já não "cola" mais. #Natureza