A Federação Nacional dos Sindicados da Administração Pública emitiu um pré-aviso de greve para o dia 31 de Outubro, em luta pelos direitos que foram retirados. Está marcada também para hoje uma manifestação em Lisboa, no Marquês de Pombal, pelas 15 horas. À hora de elaboração desta notícia, não eram ainda conhecidos os números de adesão à greve. Contudo, o Blasting News falou com Sara Bento, cidadã anónima e mãe de dois filhos cuja rotina está a ser afectada pela situação.

Questionada sobre a sua opinião em relação à greve, Sara mostrou a sua concordância com o princípio e discordância com a aplicação. "Diz-se por aí que os funcionários públicos fazem greve porque têm a sorte de ter emprego, mas não vou por aí.

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O meu problema é que são os cidadãos como eu que ficam sempre a perder." E quanto à solidariedade com os motivos da greve? Sara é categórica: "também gostaria que os senhores do sindicato fossem solidários com a minha causa. Tenho de gastar dinheiro que não tenho para ir trabalhar, e teria de gastar dinheiro que também não tenho para alguém ficar com os meus filhos - o que vale é ficam com a avó. Nas escolas nunca se sabe se há almoço, se há professores, se há auxiliares - basicamente, é um dia para esquecer. Os serviços públicos são realmente essenciais, e quando não funcionam, quem [fica a perder, n.d.r.] são os pobres, porque quem é rico acaba por arranjar maneira de contornar as chaticas do dia."

Além disso, prossegue Sara, "a ideia dos funcionários públicos de quererem trabalhar 35 horas não faz sentido nenhum e é uma injustiça muito grave relativamente aos trabalhadores do sector privado.

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Os sindicatos só perdem em insistir nessa ideia." Mas como poderiam os sindicatos fazer ver a sua indignação e a sua luta? "Nas universidades havia uma ideia que era a greve de zelo. Quando não havia condições de estudo, todos os alunos apareciam na sala para se ter a certeza que não cabiam todos. Os sindicatos podiam promover uma greve de zelo. Durante um dia, trabalhavam todos uma hora a mais em prol de pessoas como eu, que pago impostos que lhes pagam o ordenado. Nesse dia de greve de zelo, podiam distribuir papéis às pessoas a demonstrar a sua situação ou virem vestidos de forma a que todos soubéssemos que estão em protesto. Para eles até era melhor, porque o dia de greve não seria descontado do ordenado." #Desemprego

Sara apontou também a data escolhida: "Fazer greve a uma sexta-feira é muito estranho. Se eu fosse presidente ou estivesse à frente dos sindicatos, nunca escolhia uma sexta-feira para fazer uma greve ou uma manifestação. Parece que a intenção é fazer um fim-de-semana prolongado, e não tanto lutar por direitos." Sara foi mais longe e apontou a escolha do dia de Halloween: "os meus filhos tiveram de preparar umas coisas para a escola por causa do dia das Bruxas, e no Sábado de manhã vão andar à bater às portas a pedir o pão por Deus. Dá jeito ter o dia de hoje livre para preparar umas coisas. Por isso, espero ver a manifestação bem cheia. Mas nunca esperem que eu concorde com as 35 horas, isso é uma injustiça."