Chegou ao fim o Sínodo dos Bispos da Igreja Católica dedicado à Família e em especial ao relacionamento que os divorciados e os homossexuais têm com a Igreja. O Papa Francisco, assumindo uma posição progressista e por contraste com os seus antecessores João Paulo e Bento, propôs um documento no sentido de permitir uma maior aproximação e abertura a situações sempre consideradas de excepção, por parte do Vaticano. O relatório incluía 62 parágrafos que, para serem aprovados, necessitavam uma votação favorável de 2 terços dos bispos presentes. Os três parágrafos relativos à abertura aos homossexuais e a abertura dos sacramentos aos católicos divorciados e recasados não obtiveram essa votação.

Publicidade
Publicidade

E embora o Sínodo não seja um órgão vinculativo, a mensagem que os bispos passaram é clara: neste tema "fracturante", o Papa Francisco surge como demasiado progressista em relação à opinião média dos prelados. Contudo, o Papa mostrou-se satisfeito com o debate franco e aberto possibilitado pelo Sínodo e relembrou que o texto não deverá ser levado à letra no futuro, deixando "a Deus a tarefa de nos surpreender."

Por razões ideológicas e políticas, o tema era o mais sensível e mediático. Os restantes temas não mereceram a mesma atenção por parte dos média. Sobre eles, de resto, a mensagem final centrou num previsível consenso relativamente à mensagem da Igreja Católica. As pressões que o mundo moderno, o capitalismo desregulado, a perspectiva do lucro sem considerações éticas ou morais, e a perda de referências impõem à família levam, de acordo com a mensagem tradicional da Igreja Católica agora relembrada, à sua destruição, e também à criação de novas realidades sociais de mais difícil aceitação de acordo com o paradigma de família e de sociedade da Igreja.

Publicidade

O documento expressa, em todo o caso, a necessidade de evitar a discriminação dos homossexuais, pois também são filhos de Deus.

O Sínodo dos Bispos é uma órgão consultivo do Papa, composto pelos bispos eleitos pelas respectivas conferências episcopais, e que se reúne a pedido deste para aproximar e aprofundar o relacionamento entre o Sumo Pontífice e as suas dioceses. Foi criado pelo Concílio Vaticano II (que decorreu entre 1962 e 1965) e tem reunido de forma relativamente irregular, sendo em média de 2 em 2 anos. O último Sínodo, relativo à necessidade da evangelização dos tempos modernos, decorreu em 2012. A missa de encerramento no Sínodo serviu para também para a consagração do Papa Paulo VI (precisamente o responsável pela criação do Sínodo) como beato.