Foi arquivado o inquérito do Ministério Público sobre a dívida da Região Autónoma da Madeira, que tinha sido iniciado em 2011 no início do período de resgate da Troika. O comunicado do Ministério Público indica que o inquérito se focou sobre a elaboração dos orçamentos da Região Autónoma entre 2003 e 2010. Foram ouvidas 50 testemunhas e constituídos 5 arguidos.

O Ministério Público concluiu que não existiram indícios de prevaricação. E embora tenha existido falsificação de documentos, não se provou que tivesse existido a intenção de causar prejuízo a alguém (intenção dolosa). Concluem-se assim, sem qualquer resultado prático, as diligências e as questões em torno da governação de Alberto João Jardim, que sempre levantaram interrogações ao longo das últimas décadas, com especial incidência na década mais recente.

A reacção de Vítor Freitas, do CDS-Madeira é a de que "o Ministério Público legalizou a dívida criada pela administração Jardim", contrariando o Banco de Portugal e o Eurostat, no sentido de penalizar a existência de dívidas "secretas" - uma vez que o próprio governo Jardim reconheceu, à data, que a dívida era superior ao que era indicado oficialmente em cerca de 1100 milhões de euros (o equivalente a 11 vezes o que o Real Madrid pagou por Cristiano Ronaldo).

O mandato actual de Jardim, que é o último, tem-se pautado por um quase total silêncio mediático, sendo raríssimas as aparições na comunicação social e mesmo em eventos públicos por parte do presidente do Governo Regional. O contraste é total com a atitude desafiadora e vincada com que Jardim se dirigia aos órgãos do poder nacional, independentemente da cor partidária, do Governo ou do Presidente da República em exercício, mas com especial incidência durante o governo Sócrates.

Jardim não só já anunciou a intenção de não se recandidatar como já planeou a sua "sucessão", declarando publicamente que pretende ceder o lugar em Janeiro de 2015 ao próximo presidente do PSD/Madeira, a eleger em Dezembro, sendo que o novo presidente pode assim "apresentar-se" ao eleitorado até às eleições regionais de Outubro de 2015. Ainda segundo Jardim, só se o Presidente da República não aceitar esta solução é que se mantém até ao final do mandato.