A Ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, disse na segunda-feira que Portugal tem de reduzir a sua elevada dívida e vai persistir em melhorar as suas finanças públicas, pois isso é fundamental para manter a credibilidade que recuperou com os credores externos. "Não obstante o caminho já percorrido, a dívida pública mantém-se em níveis muito elevados e exige a continuidade do ajustamento", afirmou Maria Luís Albuquerque. Portugal disse na semana passada que vai ultrapassar o seu défice orçamental para este ano, em 4 por cento do produto interno bruto e que a diferença é susceptível de atingir 4,8 por cento. Este aumento, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) deve-se à inclusão de novas regras contabilísticas da UE, que passam a considerar o financiamento de empresas públicas (Carris e STCP).


"A economia de Portugal está mais sólida do que há um ano e do que em 2011 (quando foi solicitado o resgate), mas é importante reconhecer que os ajustes não estão ainda concluídos e os desafios enfrentados pelo país são muito exigentes", disse a Ministra. Disse ainda que a dívida pública de Portugal "mantém-se em níveis muito elevados e exige a continuação dos ajustes". A dívida pública total do país deve chegar a 127,8 por cento do PIB este ano, de acordo com estimativas do INE, ligeiramente abaixo dos 128 por cento no ano passado. O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, disse na mesma conferência que Portugal tem de cumprir as suas metas do défice orçamental, a fim de "ter a confiança dos mercados, necessário para resolver a nossa dívida."


Virando-se para o colapso do segundo maior banco em Portugal, o Banco Espírito Santo (BES), Albuquerque disse que o seu resgate tinha "demonstrado que o sistema [financeiro] se encontra hoje mais robusto, mais preparado e verdadeiramente integrado." O Estado resgatou o BES no início de agosto com um pacote de 4.9 mil milhões de euros, principalmente em fundos públicos, após o império de negócios de sua fundação, a família Espírito Santo, entrar em colapso sob uma montanha de dívidas. O banco foi dividido em 'banco bom' - Novo Banco - e "banco mau", que herdou toda a exposição à dívida tóxica.
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