O Prémio Nobel da Paz de 2014 foi atribuído a Malala Yousafsai, famosa activista paquistanesa dos direitos e da educação das mulheres que foi baleada pelos Talibãs em 2013, e a Kailash Satyarthi, activista indiano pelo direitos das crianças com mais de três décadas de trabalho no terreno. A decisão foi comunicada ontem, sexta-feira, pelo Comité do Nobel de Oslo. A atribuição do prémio à jovem Malala dominou a atenção mediática, sem dúvida pela alta exposição mediática que a ainda adolescente tem tido desde o episódio que quase lhe tirou a vida e que lhe essa visibilidade mundial - uma vez que Malala não desistiu e continua, agora a partir da Grã-Bretanha, a fazer ouvir a sua voz.

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Sem dúvida, uma reconhecimento político e simbólico, pois Malala tem 17 anos e não teve ainda tempo para fazer o que muitos outros têm feito, como é precisamente o caso do outro premiado. Satyahrti, com 60 anos de idade, luta há décadas contra o trabalho infantil e o abuso dos direitos das crianças, um problema de grande incidência na Índia.

Mas essa é, afinal, a importância do Prémio Nobel da Paz. Mais do que qualquer outro, este é um Nobel que tem sempre uma componente simbólica e política agregada. Malala é um símbolo de uma atitude e de um conjunto de valores. É essa atitude e esse conjunto de valores que é premiado, com esta distinção. Ao mesmo tempo, faz ainda mais sentido esta dupla atribuição. Por um lado, o trabalho no terreno, discreto e silencioso, ao longo de décadas.

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Por outro, um cenário muito mediático e que, pela força da história envolvida, ajudou a acordar consciências em todo o mundo. Estas duas componentes, ao serem premiadas em simultâneo, vêm representar precisamente a necessidade de despertar consciências no curto prazo e trabalhar com persistência no longo prazo. E ainda que Satyahrti tenha passado relativamente despercebido nas manchetes da imprensa internacional, a mensagem do Comité ficou bem patente.

De resto, a própria Malala, do alto da sua maturidade, veio já dar um empurrão a esse sinal do Comité. Não só ao relembrar o óbvio - que o seu prémio é um prémio para todas as crianças do mundo - mas também ao desejar, e depois de ter falado com Satyahrti ao telefone, que o prémio possa servir para aproximar as suas nações, sempre envolvidas no espectro da desconfiança e da guerra desde o nascimento de ambas, em 1947. Relembre-se que ambos os países são potências nucleares e que, apesar de a Índia ser um país com potencial para se tornar uma potência mundial - e com um currículo pacífico relativamente a outros países - existe sempre uma forte tensão com o seu vizinho muçulmano. Os premiados vão convidar os primeiros-ministros dos respectivos países para estarem presentes na cerimónia de entrega do prémio, em Oslo, no mês de Dezembro.