Uma avalanche fora de época já matou ao menos 40 pessoas no Himalaia este mês. Mochileiros, alpinistas, sherpas, todos que estavam no caminho da avalanche provocada pela passagem do ciclone Huddud na costa leste da Índia no dia 12 de outubro deste ano, foram por ela carregados.

O ciclone fez com que tempestades e nevascas ocorressem fora de hora no Nepal. O mês de outubro é considerado um período seguro para se andar nas trilhas das montanhas do Nepal, mas infelizmente este "outubro" foi exceção. No dia 14 de outubro (terça-feira) uma terrível nevasca, que provocou avalanches no caminho para a região de Annapurna no Nepal, atingiu montanhistas desprotegidos, inclusive um grupo de pastores tibetanos.

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Foi uma tragédia que até o momento, de acordo com a associação dos montanhistas, já causou 40 mortos.

Até agora foram encontrados os corpos de 12 nepaleses na região de Mustang. Em Thorang-La estavam os corpos de dois israelenses, um polonês e um vietnamita; dois nepaleses foram encontrados em uma trilha de trekking e os corpos de um indiano e quatro canadenses foram descobertos no distrito de Manang. Quem escalava o Monte Everest também foi atingido e até o momento 13 corpos foram encontrados, todos de sherpas (guias e carregadores). Também foram encontrados os corpos de três pastores tibetanos mortos na segunda-feira (13), vítimas dos resquícios das tempestades provenientes do ciclone Huddud. Sem dúvida alguma ainda serão encontrados mais corpos, pois o número de desaparecidos é grande; calcula-se que 85 pessoas ainda estejam desaparecidas até agora.

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No Everest as autoridades cessaram as buscas pelos 3 sherpas que continuam desaparecidos, pois acreditam que já não os encontrarão com vida, pela quantidade de neve e pelo número de dias que já passaram.

As montanhas do Nepal, especialmente o Monte Everest, considerado o "topo do mundo", já fizeram muitas vítimas. Até hoje mais de 300 pessoas morreram no monte, algumas inclusive após atingirem o topo; afinal se subir é difícil, descer também deve ser. O acidente mais grave ocorreu em 1995 com um grupo nipônico que acampava próximo ao Everest. Uma avalanche varreu o acampamento, matando 42 pessoas entre montanhistas e sherpas. Em abril deste ano, uma avalanche no Monte Everest deixou 16 mortos, todos sherpas. No Nepal ficam oito das 14 maiores montanhas do mundo, mas infelizmente este não é o único recorde por lá. A quantidade de lixo deixada pelos visitantes nas montanhas é absurda. São tanques de oxigênio vazios, latas, pacotes de mantimentos, fezes e muitos detritos.

O Governo Nepalês está mudando as regras para a escalada do Everest e suas outras montanhas, mas não contava com as adversidades da natureza, que certamente afugentarão boa parte dos possíveis interessados em adquirir os "permits" ou permissões para escalar.

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Até hoje eles custavam 25 mil dólares e em 2015 passarão a custar 11 mil dólares, uma forma de aumentar o turismo nas montanhas e incentivar os escaladores independentes. O governo também instalará um escritório com policiais e agentes de turismo no Acampamento Base do Everest, sendo o policiamento para evitar brigas como a ocorrida em 2013 entre escaladores europeus e guias sherpas no C2. Também foi criada uma norma para manter as montanhas limpas, obrigando cada escalador a trazer de volta consigo 8 kg de lixo. Porém os sherpas já estão prevendo que terão um trabalho bem maior na descida das montanhas agora, pois além de seus 8 kg de lixo pessoal, deverão ter de carregar mais os 8 kg de lixo do alpinista que acompanharem, o que já está gerando uma certa polêmica,

Os guias, em conjunto com alpinistas e chefes de expedição, redigiram uma carta ao Governo Nepalês neste último domingo. Após esta tragédia os guias reivindicam pagamentos maiores e a duplicação do valor de indenização para acidentes (que hoje é de 10 mil dólares), entre outras coisas, para continuarem a enfrentar as escaladas no Everest. Eles ameaçam abandonar a montanha e cancelar todas as expedições deste ano, caso o que exigem na carta não seja concedido.

A Associação dos Montanhistas deu um ultimato de 7 dias ao Governo para que apresente respostas às suas reivindicações. Só neste ano, pelo menos 29 guias sherpas já perderam suas vidas nas escaladas. Se o Governo do Nepal espera aumentar o número de turistas e continuar a ganhar com o turismo às montanhas, grande atrativo do país, é melhor que observe o que dizem e pedem aqueles que passam parte de suas vidas guiando e transportando pertences dos estrangeiros que pagam e muito, para escalar o "topo" do mundo.