Passos Coelho já disse este ano que os níveis de pobreza estavam a estabilizar, depois de, em 2011, ter defendido que a única saída possível da crise seria o empobrecimento do país. No Dia Internacional da Erradicação da Pobreza, a 17 de Outubro, vieram à superfície números que parecem indicar níveis preocupantes, especialmente para a população infantil.

Os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), que retratam a realidade em 2012, ano em que a crise mais se fez sentir em todos os sectores, indicam que praticamente um terço das crianças (31,6%) até 17 anos estavam em risco de pobreza naquela altura.

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Se taxa de risco de pobreza chegava aos 18,7% do total de portugueses, a taxa da população infantil ia até aos 24,4%. Segundo a Organização das Nações Unidas, que divulgou um relatório semelhante, muitas das crianças "não tinham acesso aos mínimos da alimentação, educação e proteção social".

Realidade poderá ser pior hoje em dia

Os dados de 2012 traçam um horizonte ainda mais negro e a realidade poderá ter piorado até aos dias de hoje. Citado pelo jornal Público, Sérgio Aires, presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza Europa e director do Observatório de Luta contra a Pobreza de Lisboa constatou que "o futuro não é luminoso" e que os números são "assustadores", pois revelam "o quão estrutural é o problema da pobreza".

"Perante estes dados, o desafio que está em cima da mesa para os governantes é alterar esta situação do ponto de vista político.

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A prioridade dos Estados-membros deveria ser ultrapassar esta situação", alertou ainda.

Ajuda contra a fome

Só no distrito de Setúbal serão entre 50 a 60 as instituições que estão em lista de espera para receber a ajuda do Banco Alimentar. Nesta região, a organização chega a mais de 30 mil pessoas, mas ainda assim, são cerca de 10 mil as que solicitaram ajuda e ainda não a receberam.

Por outro lado, a iniciativa Refood, que recolhe as sobras de restaurantes e outros estabelecimentos que servem refeições para as distribuir por quem precisa, fornece neste momento cerca de mil refeições diárias na área de Lisboa. O projecto encontra-se em expansão até 2015, com iniciativas previstas para os concelhos de Sintra e Cascais, assim como áreas mais a norte, incluindo a Foz do Douro (Porto), Braga e Covilhã.

Necessidade de estratégia nacional

A Cáritas Portugal alertou em comunicado, no dia 17 de Outubro: "Na verdade, não existe atualmente uma estratégia de combate à pobreza e exclusão social, mas sim um conjunto de medidas avulsas que visam atenuar os problemas mais prementes e imediatos que afetam um número cada vez maior de famílias, devido ao aumento do #Desemprego, aos baixos salários, à redução na ajuda social pública e, em geral, à desigual distribuição do rendimento".

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A instituição católica salientou a importância de criar medidas no âmbito político, "até porque a pobreza também mata a Democracia" e mostrou-se especialmente preocupada com os números do desemprego jovem, os cortes nas prestações sociais e a diminuição do investimento em sectores-chave como a Saúde e a Educação.