O lema da Refood é "aproveitar para alimentar". Para isso, a organização criada por Hunter Halder, um "americano alfacinha", como ele próprio se definiu numa das suas últimas reuniões "sementeiras", na freguesia de Rio de Mouro, no concelho de Sintra, recolhe sobras alimentares de estabelecimentos de Lisboa e distribuiu as sobras, sob a forma de refeições a quem delas mais precisa.

"Há comida em perfeitas condições que vai para o lixo, dia-a-dia, na mesma comunidade onde há pessoas com fome. Não faz sentido.", alertou o fundador da Refood.

Por isso mesmo, a organização de voluntários faz a ponte entre "o excesso diário e a necessidade diária" através de uma rede de pessoas que disponibilizam o seu tempo para "mudar o mundo" a partir da sua comunidade.

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São mais de mil aqueles que o fazem, em cinco núcleos, e são mais de 500 os parceiros, "de grandes superfícies à pequena tasca", que ao invés de deitarem para o lixo as sobras alimentares, as oferecem aos voluntários.

Acabar com o desperdício e a fome

É esse o objectivo da Refood: acabar com o desperdício e com a fome, porque neste momento "uma terceira parte da comida produzida na nossa comunidade vai para o lixo, enquanto que uma em cada oito pessoas tem carências alimentares", explicou Hunter Halder.

O verdadeiro grande recurso da Refood, não é apenas a comida, mas também as pessoas que disponibilizam o seu tempo para ajudar. Cada voluntário que disponibilize duas horas por semana "está a ajudar a alimentar 10 pessoas".

O processo implica três fases: recolha, empacotamento e distribuição.

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As equipas de voluntários de cada núcleo são distribuídos conforme o tempo que têm disponível para que nada falhe.

"Boa-vontade é o único motor do Refood", apontou o fundador da organização.

Os custos da operação são cobertos pelos parceiros, mas o orçamento traduz-se em menos de dez cêntimos por refeição, o que inclui o custo inerente à conservação de alguns dos alimentos e à distribuição, que nem sempre é local, já que a Refood auxilia também pessoas com problemas de mobilidade, cujas refeições têm de ser entregues à porta.

"Semeando" a ideia

Apesar de ser um projecto que começou com um homem numa bicicleta que teve uma "ideia visionária", a Refood está neste momento em expansão graças a "pioneiros", ou pessoas que contactam Hunter Halder para criar um núcleo na sua comunidade.

A partir da primeira reunião, "sementeira" como é chamada pela organização, o planeamento do possível núcleo depende de "gestores" que doam mais do que duas horas do seu tempo (no mínimo quatro) para estudar a fundo as necessidades da sua comunidade, muitas vezes com a ajuda de outras organizações que já estejam a trabalhar no local.

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A Refood aproveita o excedente destes grupos, nomeadamente as pessoas que estão em lista de espera e informações de outras possíveis carências, para planear e depois começar a agir.

O projecto, que teve início na freguesia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa, em 2011, já distribui cerca de 20 mil refeições por mês e deverá duplicar a sua presença no país ao longo do próximo ano. Estão a ser "semeados" novos núcleos pelo país, mas também noutras cidades do mundo, como Barcelona, Madrid, Amsterdão, Buenos Aires e Las Vegas.

Está também a ser preparado o primeiro encontro nacional da Refood, a 8 de Dezembro, em Lisboa, e um festival de quatro dias em 2015.