Portugal esgotou a sua quota de pesca de sardinha, o que está a causar evidente preocupação junto dos pescadores, com a proibição de captura válida entre 19 de Setembro e o final do ano. O governo assegura que existirão compensações financeiras, ao abrigo do que está previsto, mas os pescadores têm um conjunto de objecções que serão debatidas hoje numa reunião com o Ministério.

Em entrevista a uma rádio nacional, a Ministra da Agricultura e do Mar apontou que continuam a ser feitos estudos no sentido de determinar até que ponto as sardinhas se estão a reproduzir novamente de forma a que a sua captura torne a ser sustentável.

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Contudo, até ao momento, os resultados - levados a cabo por instituições internacionais - indicam que a proibição que foi instaurada a 19 de Setembro deve ser mantida. A ministra pede a compreensão do sector, ressalvando que o país pretende ter pesca hoje e daqui a 10 anos e lembrando que os pescadores serão compensados.

Do outro lado está a Associação dos Produtores de Pesca de Cerco, liderada por Humberto Jorge. Os pescadores contestam os resultados e a análise dos stocks da sardinha - o peixe mais valioso e que sustenta a fileira. Além de exigirem novos resultados até ao final do ano, os pescadores sublinham que em 2014 foi visível uma recuperação dos stocks além daquilo que estava previsto pela quota, o que aconteceu pela primeira vez em 20 anos. Humberto Jorge afirma também que o sector não pode estar parado cerca de metade do ano e que a recuperação dos stocks para os níveis mais altos de sempre poderia ser feita em 2 ou 3 anos, mas à custa da falência e do desaparecimento das empresas e do sector.

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Os pescadores contestam ainda o período de duas semanas que mediou entre o anúncio da proibição (a 19 de Setembro) e a publicação em Diário da República da portaria que regula, para a situação actual, as compensações aos pescadores. Segundo Humberto Jorge, este período foi de grande dificuldade para os pescadores e levou muitos a partir para outras regiões. A Associação dos Produtos da Pesca de Cerco reúne-se hoje com o Secretário de Estado do Mar para debater esta situação.