O aeródromo de Tires, como é conhecido o aeródromo municipal de Cascais, foi encerrado após uma fiscalização da Agência Europeia para a Segurança na Aviação. O director do aeródromo, António Santinhos, explicou à agência Lusa as circunstâncias da situação. Segundo Santinhos, o encerramento é apenas temporário uma vez que o aeródromo não está a cumprir dois requisitos considerados obrigatórios: a presença de um meteorologia próprio e a certificação, pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera, da estação automática de meteorologia. O director espera que a situação esteja resolvida já na próxima segunda-feira, na parte da manhã, reconhecendo também o inconveniente para todos as empresas de aviação que operam no espaço e que não poderão trabalhar durante o fim de semana.

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O director admite também que as inspecções efectuadas a cabo pela Agência - uma espécie de ASAE europeia para a aviação - são frequentes, mas que é a primeira vez que é feita a Tires.

O encerramento é uma bizarra e desagradável prenda de aniversário, pois cumprem-se precisamente hoje 50 anos sobre a sua inauguração, em 1964. Com mais de cinco centenas de trabalhadores e cerca de duas dezenas de empresas, o aeródromo de Tires é uma referência na aviação nacional - aqui se situam as mais importantes escolas de aviação do país - e uma peça essencial do turismo e da economia da Grande Lisboa, nomeadamente da Linha de Cascais. O aeródromo tem sido aumentado ao longo dos anos e, por vezes, são para aqui desviados voos charters e privados destinados ao aeroporto da Portela, funcionando numa lógica de complementaridade.

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O comunicado do director Santinhos não refere se a ausência de um meteorologista e a não certificação da estação meteorológica se devem a constrangimentos orçamentais do aeródromo, a uma ausência forçada de um meteorologista anterior e à inércia do Instituto da Atmosfera que não certificou a estação dentro do tempo, ou qualquer outra explicação para que o aeródromo não esteja em conformidade com que é necessário.

Aqui se situa também um heliporto, onde um helicóptero do INEM se situa estacionado em permanência. O comunicado de Santinhos não refere se o encerramento do aeródromo se aplica apenas à aviação civil ou se implica também o serviço de urgência deste helicóptero.