O presidente do #Turismo de Portugal, João Cotrim Figueiredo, defendeu ontem a ideia do Porto enquanto novo e afirmado destino turístico internacional em Portugal. Figueiredo falava no âmbito da conferência "Turismo 2020: Plano de Ação para o Desenvolvimento do Turismo em Portugal", que decorria na Alfândega do Porto. Segundo Figueiredo, ao Algarve, Madeira e Lisboa, marcas reconhecidas internacionalmente e com peso significativo na atracção de turistas estrangeiros, junta-se agora o Porto também com a mesma visibilidade. Figueiredo elogia a identidade e a genuinidade da cidade nortenha, procurada pelos turistas em busca de uma experiência de autenticidade, sem a ostentação do consumo turístico ou da massificação já orientada para turistas. O Porto, ainda segundo o dirigente do Turismo de Portugal, não precisou de se reinventar ou de criar uma imagem específica para cativar o turista, bastando mostrar-se apenas no seu carácter especial. A clássica hospitalidade dos tripeiros, a gastronomia, o clima, o centro histórico - que é Património Mundial - a paisagem urbana em conjunto com a paisagem natural, a segurança, tudo se conjuga para que o turista estrangeiro sinta que descobre algo de novo e muito especial.

Os números evocados na conferência reforçam esta ideia: um crescimento de 15,8% no número de dormidas de turistas estrangeiros, no primeiro semestre de 2014, em relação ao período homólogo do ano passado, alcançado um valor próximo de 1.184.000. Os mercados emissores são os mais tradicionais e esperados: os mais próximos vizinhos europeus (Espanha, França, Alemanha, Reino Unido) e também o Brasil. Daí também a importância estratégica, para a Câmara Municipal, de reparar as zonas da cidade que mais facilmente captam a atenção dos visitantes, como é o caso da marginal que será requalificada.

Para este sucesso terão contribuído também as ligações aéreas low-cost que ligam a Invicta à Europa, a começar pela Ryanair. Para que os turistas pudessem alcançar a autenticidade tripeira referida por Figueiredo, era essencial o meio de lá chegar - e alguns operadores turísticos da cidade já sugeriram que Michael O'Leary, o famoso e controverso CEO da companhia aérea de baixo custo irlandesa, merecia uma estátua na cidade pelo desenvolvimento e oportunidades de negócio que abriu. No caso dos visitantes brasileiros, é sem dúvida a conjugação entre o boom económico do país irmão e o surgimento de uma nova classe média, e também uma certa curiosidade de chegar às raízes do país, uma vez que grande parte da emigração portuguesa que em tempos se fez para o Brasil partiu do Norte do país.