Faleceu ontem Anthímio de Azevedo, aos 88 anos de idade. Nascido em S. Miguel (Açores), Anthímio foi durante décadas o meteorologista responsável pela apresentação do respectivo programa na RTP. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (antigo Instituto Português de Meteorologia e Geofísica) emitiu um comunicado, lamentando o desaparecimento de Anthímio enquanto antigo colega e dirigente da casa. O comunicado do IPMA lembra que Anthímio foi responsável pelo programa "entre 1964 e 1967, entre 1971 e 1977 e de 1981 a 1990, altura em que este serviço foi interrompido pela primeira vez, apesar dos protestos dos espectadores." Continuou a surgir na TVI, entre 1992 e 1996.

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O comunicado refere ainda que o funeral será privado, "por indicação da família."

O Blasting News falou com Jorge Velho, cidadão anónimo nascido no início dos anos sessenta. "O Anthímio de Azevedo é a referência da meteorologia para a minha geração", recorda. "Lembro-me de ele apresentar o tempo num quadro preto, com giz, e com as linhas isobáricas sobre Portugal e a Europa. Ele era simplesmente o senhor do tempo." Já Pedro Miguel outro cidadão anónimo. mas nascido no início dos anos 80, tem uma memória diferente, mas onde Azevedo também está presente. "Sempre me lembro de Anthímio de Azevedo ser o senhor da meteorologia, mesmo se me parece que no fim dos anos 80 já não era ele a fazer o programa, ou pelo menos não seria sempre ele", conta Miguel. "Depois mudaram a hora e a duração da meteorologia até acabarem com ela, porque a RTP entendeu, como as TVs privadas também, que as pessoas só queriam mesmo saber se ia chover ou fazer sol.

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E mesmo assim ele continuava a aparecer na televisão a falar sobre o tempo ou o clima, era sempre aquela referência."

O papel de Anthímio de Azevedo foi também glosado num artigo de opinião de Nuno Morais Sarmento, político do PSD, no Diário Económico. Publicado em 2010, o artigo comparava as previsões de Anthímio às previsões macroeconómicas de Vítor Constâncio, à época governador do Banco de Portugal. Para Sarmento, Portugal precisaria que as previsões de Constâncio fossem tão certeiras como as do célebre meteorologista.