Desde 1 de Outubro deste ano que é crime maltratar #Animais de estimação. Contudo, a lei não abrange todos os animais e ainda que já tenham sido instaurados seis processos-crime e 54 autos desde que o diploma está em vigor, há cada vez mais casos de negligência para com cavalos. O animal não está abrangido nos critérios que levam à condenação de quem "quem, sem motivo legítimo, infligir dor, sofrimento ou quaisquer outros maus tratos físicos" (excerto da legislação publicada em Diário da República a 29 de Agosto) aos seus companheiros de quatro patas. Agora Susan Clark vem fazer notar que é preciso que isso mude ao publicar uma petição ("Stop the Cruelty To Horses in Portugal" ou, em português, "Parem a Crueldade Para com os Cavalos em Portugal") para incentivar as autoridades a ter mais consideração por estes animais.

Publicidade
Publicidade

A forma que a britânica encontrou para captar a atenção foi promover através da petição um boicote ao turismo em Portugal. "Tenho visitado Portugal há muitos anos. Nos últimos anos os incidentes de crueldade para com cavalos chegaram a níveis epidémicos", diz o texto da petição publicado pela advogada, que culpa ainda a falta de acção perante os casos. "Parece que as autoridades e a polícia nada fazem ou estão impotentes para parar com a crueldade. A única forma de mudar isso, penso eu, é parar de visitar o país (...). Portugal é um membro da Comunidade Europeia, não um país de terceiro mundo", escreveu ainda a britânica na petição que já foi assinada por quase 3500 pessoas, incluindo portugueses, mas também norte-americanos, franceses, holandeses e britânicos.

As consequências deste boicote podem ser devastadoras para o país em termos económicos.

Publicidade

Segundo dados do Turismo de Portugal, a maioria dos visitantes são britânicos, com 3,4 milhões de turistas que registaram dormidas no primeiro e segundo trimestre do ano. Pouco atrás ficam os franceses e os alemães. Se esta "má fama" de Portugal se espalhar pela internet, poderá influenciar as decisões de turistas que estejam a planear visitar o país no futuro. O jornal i contactou o Turismo de Portugal, que remeteu a matéria para organizações nacionais relacionadas com a protecção animal. O responsável confirmou à publicação que conhece "dois ou três episódios de cavalos abandonados, mas que não refletem de forma alguma a relação que os portugueses têm com os cavalos e a maneira como os mesmos são tratados em Portugal".

Vários casos de negligência para com equídeos, especialmente no Algarve, têm chegado aos meios de comunicação social e às redes sociais nos últimos anos. Em Agosto passado, por exemplo, a Câmara Municipal de Lagoa queixou-se às autoridades perante o caso de três dezenas de cavalos abandonados num terreno da região, com um aspecto que indicava desnutrição.

Publicidade

Em Março, a GNR de Faro comunicava que todas as semanas havia casos de cavalos sem identificação e sem controlo na via pública. O mesmo se passava em Olhão, o que levou a autarquia local a proibir o apascentamento de animais em espaços públicos, sob pena de coimas que podem chegar aos 2500 euros. Mas nas redes sociais, vários utilizadores algarvios publicam fotos de cavalos claramente subnutridos e em espaços sem vedação, o que indica que estes episódios não são apenas dois ou três, como indicou o Turismo de Portugal.