Era uma manhã como qualquer outra na autoestrada A5, que liga Cascais a Lisboa: trânsito caótico e chuva torrencial à hora de ponta. De um momento para outro, algumas pessoas apercebem-se que um Renault 19 deu um "toque" num jipe, no tráfego semi-estacionário. Nada de estranhar, com o tempo que fazia - é, infelizmente, um acontecimento diário.

A surpresa surgiu quando as testemunhas, incrédulas, viram o condutor - um homem com 35 a 40 anos - sair do carro para avaliar os estragos e ser, de imediato, atirado para a traseira do seu próprio carro por dois homens, que de seguida arrancaram pelo meio do trânsito com o Range Rover roubado.

O assalto ocorreu esta quarta-feira, na zona de Carnaxide, por volta das 8:30.

Após alguns momentos de pânico o dono da viatura aproveitou uma distração para abrir a porta e saltar do veículo em andamento. Alguns condutores que passavam pararam para o socorrer, tendo sido mais tarde levado para o hospital. «O indivíduo, de nacionalidade portuguesa, conseguiu libertar-se e saltou do carro em movimento. Foi encontrado com tornozelos e pulsos amarrados e com fita isoladora a tapar-lhe a boca», revelou fonte do Comando de Lisboa da GNR.

Os dois carjackers não pararam, vindo a despistar-se pouco depois com o Range Rover roubado, na saída para Belém. Um terceiro elemento, que estaria dentro do Renault 19 que iniciou toda a situação, surgiu também pela berma da estrada para recolher os ladrões, fugindo a alta velocidade para o Monsanto.

Os peritos forenses da Polícia Judiciária estão agora a examinar o jipe na esperança de alguma pista que possa levar à identificação dos sequestradores.

Este modus-operandi, no qual é propositadamente dado um toque traseiro no veículo da frente com a intenção de fazer o seu condutor destrancar a viatura e sair da mesma para analisar os danos, tem vindo há algum tempo a ser divulgado pela internet como um esquema de carjacking muito usado nos países de leste. A instalação de câmaras de vídeo no interior do automóvel, como vendo sendo comum em muitos países da Europa, pode ser uma solução, levando a uma mais fácil e rápida identificação dos autores do crime.