Ao fim de 40 anos de prisão por um crime de que eram inocentes, dois homens foram libertados na passada sexta-feira, em Cleveland, Ohio, Estados Unidos. Ricky Jackson, Wiley Bridgeman e o seu irmão Ronnie, foram presos a 25 de Maio de 1975, pelo assassínio de Harry Franks, homem de negócios de Cleveland, e condenados à morte na base de uma única testemunha juvenil, Edward Vernon, embora não houvesse evidência física que os ligasse ao assassínio. Edward, então com 12 anos, declarou à polícia que tinha visto os três jovens atacar a vítima. Foi o suficiente para que Ricky Jackson, de 19 anos, Wiley Bridgeman com 20, e Ronnie Bridgeman com 17, fossem presos e condenados à morte.

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Os três protestaram sempre a sua inocência e a sentença de morte foi sendo adiada, até que, a três semanas da execução, o Supremo Tribunal dos Estados Unidos aboliu a pena capital no Ohio, em 1978. Ronnie conseguiu a liberdade condicional em 2003. Em 2011, uma reportagem de jornalismo de investigação lançou dúvidas sobre as sentenças de 1975. A organização Ohio Innocence Project pegou no caso e coordenou, desde então, todo o trabalho de investigação.

"Foram literalmente muitos anos de trabalho a localizar pessoas e a ouvir testemunhas", disse o advogado de Jackson, Brian Howe, que acrescentou "Mas tudo culminou na terça-feira, quando o Estado retirou a acusação." Edward Vernon, que vivia em estado de ansiedade, aceitou contar a verdade e assinar uma declaração renegando as declarações que havia feito à polícia aos 12 anos.

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Na semana passada, Vernon, agora com 52 anos, subiu ao pódio do tribunal para dar um testemunho impressionante e emocional, retratando-se das suas declarações da infância.

"Eddie Vernon quebrou no pódio várias vezes durante o depoimento", disse Terry Gilbert um dos advogados. "Ele descreveu como a sua vida foi afectada pelo stress e a angústia, pois durante todos esses anos ele teve medo de que, se avançasse com a verdade, iria para a prisão."

Vernon testemunhou que viajava no autocarro escolar quando ouviu o tiro que matou Franks. Como rapaz de 12 anos, contou à polícia os rumores que tinha ouvido, incriminando Jackson e os irmãos Bridgeman. Quando tentou retirar o que havia contado, os polícias intimidaram-no com gritos e murros na mesa e levaram-no a dar um falso testemunho. "Ele era um rapaz assustado," disse Gilbert. "Não os tinha visto cometer o crime. A Polícia disse-lhe que ele seria preso e que prenderiam a sua mãe, se voltasse atrás."

As audiências foram muito emocionais ao longo da semana e, após a audiência de Vernon, os Procuradores retiraram todas as acusações.

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Na sexta-feira, Jackson e Bridgeman saíram do tribunal como homens livres. O irmão mais novo será também ilibado numa próxima sessão e irá receber em sua casa os dois homens. A Innocence Project vai ajudar a recompor as suas vidas, tendo lançado uma campanha de "crowdfunding" na Internet.

"Ricky Jackson não guarda azedume ou rancor", disse Brian Howe. "Ele quer apenas refazer a sua vida, obter emprego e conduzir um carro. Está a processar o facto de ser um homem livre," acrescentou. Depois da audiência, Jackson disse aos jornalistas que não tinha qualquer ressentimento contra Vernon, após todos estes anos de prisão. "Ele hoje é um homem adulto," disse Jackson, "Na altura, era apenas um rapaz". #Justiça