O surto de legionella começou na sexta-feira, dia 7 de Novembro, em Vila Franca de Xira, mas o número de internados no hospital daquela cidade portuguesa subiu de cerca de 27 para 64 em cerca de 24 horas. Em Lisboa, há neste momento 16 pessoas em observação em várias unidades do Centro Hospitalar de Lisboa Central, de acordo com os últimos dados fornecidos à Lusa pela Administração Regional de Saúde de Lisboa (ARSL). "Os casos são todos oriundos de Vila Franca", terá dito a ARSL, e por enquanto está afastada a hipótese de contaminação múltipla na Grande Lisboa, assim como está fora de questão algum tipo de relacionamento entre as pessoas contaminadas. Sabe-se por enquanto que todos os infectados vieram das freguesias de Póvoa de Santa Iria, Vialonga e Forte da Casa.

Entretanto, já este sábado, a bactéria clamou a sua primeira vítima. Um homem, já com um quadro de doenças respiratórias, incluindo doença obstructiva pulmonar e pneumonia recente, assim como o hábito de fumar, acabou por morrer no seguimento da infecção pela legionella no hospital de Vila Franca de Xira.

Contaminação por via aérea

A legionella é uma bactéria responsável pela Doença dos Legionários. Esta forma grave de pneumonia é transmitida por via aérea (respiratória), pela inalação ou aspiração de gotículas de água contaminada. Os sintomas da contaminação são febre alta, dores musculares e dores de cabeça. De acordo com o director clínico do Hospital de Vila Franca de Xira, citado pelo Público, a bactéria não se transmite pelo contacto humano nem pelo consumo de água. Segundo Carlos Rabaçal, ainda estão a ser investigadas as origens desta contaminação, mas a unidade hospitalar já começa a sentir dificuldades em responder a esta necessidade súbita de internamentos.

A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira emitiu um comunicado com a resposta do laboratório dos Serviços Municipalizados de Águas e Saneamento (SMAS) sobre uma análise feita à água distribuída no concelho. O documento indica que não foi registado "qualquer registo anómalo dos valores normais para consumo humano". Também a EPAL (do Grupo Águas de Portugal) assegurou que "não tem qualquer registo de alteração das condições de abastecimento".

Legionella tem precedentes em Portugal

Segundo o relatório da Direcção-Geral de Saúde "Doenças de Declaração Obrigatória 2009-2012", entre 2009 e 2013, Portugal registou 459 casos de legionella e mais de 60% dos casos eram oriundos da região Norte, especialmente dos distritos do Porto e de Braga. O mesmo relatório indica que a maioria dos casos atingiu principalmente homens com mais de 30 anos. Houve menos casos registados no Inverno e na Primavera, o que corresponde à normalidade, já que a legionella é favorecida pela temperatura e pela humidade.

Sistemas de aquecimento e refrigeração, como aparelhos de ar condicionado, assim como o duche são locais preferenciais para a propagação da bactéria. Um estudo de 2013 do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, indicava que 20% das 975 amostras de água (provenientes de água para consumo, águas industriais, torres de refrigeração, entre outros) revelaram a presença da bactéria legionella.