A detenção do ex-primeiro ministro, José Sócrates, à chegada ao aeroporto de Lisboa, no passado dia 21/11/2014, por suspeita de crimes de corrupção, fraude fiscal agravada, branqueamento de capitais e falsificação de documentos, tem sido uma constante e atualizada fonte de notícias e comentários em toda a comunicação e redes sociais. Analisando as notícias que têm vindo a ser publicadas, apresenta-se um pequeno excerto dos acontecimentos:

O que aconteceu antes da detenção

Enquanto governante

Ao longo do tempo em que foi governante obteve uma fortuna de cerca de 20 milhões de euros, que colocou num banco na Suíça (UBS) em nome de Carlos Santos Silva. 
Foi criado o segundo Regime Extraordinário de Regularização Tributária (RERT II), pelo seu governo, que permitia a regularização fiscal de verbas depositadas no exterior até finais de 2009, mediante o simples pagamento de um imposto de 5% (sobre o total desse património), e desde que o titular o colocasse em Portugal. Desta forma e tendo Carlos Santos Silva sido um dos aderentes ao RERT o dinheiro foi transferido da UBS para o BES, em Portugal.

Resultado: regularizada a situação por apenas um milhão (em vez de ter de pagar ao Estado um imposto que em condições normais é de quase 50% (10 milhões de euros)).

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Enquanto ex-primeiro ministro

Com a derrota nas eleições legislativas de 2011, ex-primeiro ministro investiu 95 mil euros num Mercedes e faz-se estudante de filosofia política em Paris. Já com o dinheiro numa conta em Portugal (em nome de Santos Silva), viria a justificar a vida de luxo em Paris, tendo alugado um apartamento, na zona mais cara, através do recurso a um empréstimo da CGD (valor quase igual ao do carro topo de gama que comprara em leasing), e com uma herança deixada à mãe, Maria Adelaide Pinto de Sousa. 
Argumento este, de herança, já anteriormente utilizado como justificação da aquisição do seu luxuoso apartamento no edifício Heron Castilho em Lisboa, que se encontrava abaixo do valor do mercado, na década de 90, dois meses antes de a mãe também se ter instalado num andar do mesmo edifício por um preço semelhante: 224 mil de euros.

Ainda em 2011, pediu à mãe que vendesse a Santos Silva os dois apartamentos no Cacém, negócio realizado por 175 mil euros, verba essa que foi sendo colocada em tranches nas contas do ex-primeiro-ministro pelo empresário. 
Atualmente detém uma casa onde habita em Paris, situada numa zona nobre, em nome de Carlos Santos Silva, com um valor patrimonial estimado em 2,8 milhões de euros. De acordo com os dados apurados, o valor do património que a mãe do ex-primeiro ministro terá recebido com a morte do pai, encontra-se distante da possibilidade de cobrir os gastos reportados.

O que está em causa

Uma investigação liderada pela Inspecção Tributária de Braga, no âmbito de um inquérito aberto no Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP).

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Para além de José Sócrates, foram detidos outros três arguidos. As autoridades já terão ido a casa de José Sócrates, tendo a operação de buscas abrangido também o empresário Carlos Santos Silva, Gonçalo Trindade Ferreira e Joaquim Lalanda de Castro (representante em Portugal da Octapharma, a multinacional farmacêutica para a qual José Sócrates trabalha desde 2013).

Suspeitas

· Os investigadores suspeitam que a mãe de Sócrates tem sido um dos meios que este tem usado para branquear o dinheiro das 'luvas' que foi recebendo como governante.

· O 'barriga de aluguer' ou "testa de ferro" das quantias acumuladas por Sócrates é Carlos Santos Silva. Os investigadores suspeitam que o antigo líder socialista terá usado Carlos Santos Silva como peão para traficar influências.

Medidas de Coacção #Justiça

Na denominada Operação Marquês, as medidas de coacção foram a prisão preventiva para José Sócrates, Carlos Santos Silva e o motorista João Perna, tendo sido aplicada ao advogado Trindade a obrigatoriedade de se apresentar duas vezes por semana às autoridades, estando impedido de se deslocar ao estrangeiro.