Alguns estados norte-americanos pretendem voltar a aplicar o fuzilamento militar em presos condenados à pena de morte. Como argumento central está o facto de não lhes estar a ser possível adquirir as drogas letais para serem aplicadas por injeção, uma vez que os produtores europeus dessas substâncias estão a boicotar a sua venda por motivos morais. Entretanto a indústria farmacêutica americana já se encontra a produzir substâncias compostas por sedativos e analgésicos que não teve ainda qualquer tipo de teste. Interesses económicos também foram referidos em alguns casos, pois a construção de câmaras de gás é dispendiosa. Desde 1977 existiram apenas três mortes por esta via e todas elas no estado de Utah.

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Muita tem sido a polémica nos EUA sobre a pena de morte e a aplicação de drogas letais, após alguns casos mal sucedidos. No início do ano um condenado a esta pena, demorou 43 minutos até que os seus órgãos vitais parassem, o que só aconteceu após várias injeções. Mais recentemente no Ohio, um condenado demorou 26 minutos até terminar a sua execução.

Depois destes e de outros casos, tem vindo a ser questionada a fórmula utilizada nestas injeções letais. Uma vez que existe um boicote europeu à venda destas substâncias para os EUA, devido a questões morais. A indústria americana foi chamada para produzir soluções baseadas em analgésicos e sedativos que nunca foram testados. Em causa tem também sido colocada a forma como os estados, onde ainda existe a pena de morte, estão a conseguir obter estas drogas, uma vez que não existe qualquer supervisão sobre tal.

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Desta forma, parece que o país que mais defende os direitos humanos a nível internacional se está a esquecer de os colocar em prática internamente, onde as cobaias estão a ser os próprios condenados.

Entre outros estados, o Utah está a considerar voltar a aplicar esta pena de morte através do fuzilamento militar. Como justificação para além das razões económicas apresentadas pelos outros estados, o representante estadual republicano Paul Ray no Utah diz que o fuzilamento é a forma mais humana de se matar uma pessoa, devido à sua rapidez. Se estas afirmações tivessem vindo de um qualquer país africano ou muçulmano do chamado "terceiro mundo", qual seria a posição do Presidente dos EUA, ONU e afins?

Desde 2010 que não existem execuções por esta via nos estados onde ainda vigora a pena de morte. No entanto parece que vão ser dados alguns passos atrás no país que se auto-proclama como o país da liberdade e defensor dos direitos humanos que continua a dar "tiros nos pés" relativamente a este tipo de questões humanitárias.