Levantou-se uma polémica devido a declarações relacionadas com o número de licenciados em Portugal. Esta declaração está correcta. Temos muitos licenciados, mas o mais preocupante é a formação estar direccionada para áreas extremamente saturadas. Num país onde o sector da construção tem vido a decrescer devido a falta de fundos, insiste-se em formar pessoas nessas áreas. Por vezes é necessário dar um passo para o lado para ter uma outra perspectiva do que queremos.

Neste momento para onde estão direccionadas as nossas forças, as nossas intenções? Não existe um objectivo claro do que queremos. Neste momento apenas ouvimos falar da dívida, da Troika e da crise.

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As atenções estão todas voltadas nesse sentido. Todas as conversas vão dar a estes temas, mas soluções poucas ou nenhumas. Onde estão os nossos formados, os licenciados que estudaram muitos anos, para poderem ser chamados de doutores e engenheiros. Eles existem mas na hora de colocar a mão na massa, quem aparece são os licenciados sem canudo. Pessoas que com a sua experiência e dedicação ainda colocam o país a andar. Embora sendo explorados não param um único dia, pois necessitam colocar alimento na mesa dos seus filhos.

Estes licenciados, por diversas razões, não seguiram os estudos e tiveram de dar o corpo ao trabalho. Todos somos necessários, os licenciados propriamente ditos e os outros, os sem canudo. Uns com a teoria, outros com a prática e com a experiência. Em relação à polémica, ela pode existir pelo simples facto de serem críticas vindas de fora do País, mas se assim não fosse ninguém ligava.

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A polémica não devia estar associada à questão de quantidade ou mesmo de qualidade. Somos muitos e somos bons no que fazemos. Então onde reside a base do problema. Porque não surgem soluções?

Um conhecido escritor Português, um dia, afirmou "o diploma não encurta o tamanho das orelhas". Com certeza que esta pode ser uma das origens do problema. Possivelmente os cargos de chefia e orientação estão entregues a estes diplomados. Talvez devêssemos tentar colocar um licenciado sem canudo a orientar. E não sou só eu que penso assim. O slogan "pior do que está não fica" vem dar-me razão. #Educação