A greve do Metro agendada para hoje não foi desconvocada, mas a Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (FECTRANS) recomendou aos trabalhadores que não a fizessem, para garantir a segurança dos passageiros. A declaração surgiu na sequência da decisão, por parte do Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social, de exigir a garantia de 25% dos serviços por parte dos trabalhadores, o "serviço mínimo." Os efeitos da greve deveriam começar a fazer-se sentir às 23h30 de ontem e prolongar-se pelo dia de hoje, integrada no Dia Nacional de Indignação, Acção e Luta por parte da CGTP.

Anabela Carvalheira, representante da FECTRANS, acusou a decisão do Tribunal de se tratar de "uma decisão política", e deixou a crítica implícita que o tribunal estaria a ignorar questões de segurança, uma vez que só o pode fazer estando a 100%.

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Segundo Carvalheira, citada pelo Ionline, se existir uma avaria ou atraso e isso causar 15 a 20 minutos sem comboios, as estações enchem-se, e com 25% das carruagens o efeito seria muito pior. Já José Manuel Oliveira, da mesma organização sindical, apontava o mesmo facto e a periculosidade do mesmo, pois as plataformas do metro não oferecem a mesma segurança que uma qualquer paragem ao ar livre ou dentro de uma estação rodoviária. Oliveira afirmou também que, e de acordo com o Observador, "quem tomou esta decisão não usa o metropolitano." A FECTRANS declina também responsabilidades, da sua parte e da parte dos trabalhadores, por tudo "o que possa acontecer depois da meia-noite", isto é, das zero horas de hoje. Anabela Carvalheira prometeu também mais luta, especialmente se o governo, na pessoa do Secretário de Estado dos Transportes, mantiver a intenção de privatizar a empresa e os serviços.

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Se tal acontecer, citando a responsável, a luta "endurecerá certamente."

Na sua página da internet, o Metro de Lisboa veiculou esta informação, referindo esperar que o serviço "funcione na normalidade" durante o final de ontem e ao longo do dia de hoje, mas sem deixar de lamentar "eventuais perturbações causadas aos clientes e à cidade."