Apesar de todos os esforços, as equipas de buscas da GNR e da Guardia Civil espanhola, num total de 28 homens, 5 cães e um helicóptero, não conseguiram encontrar o jovem empreendedor e desportista de aventura, João Marinho. O português está desaparecido há 15 dias na Serra dos Picos de Europa, Astúrias, tendo as equipas desistido de o encontrar devido ao mau tempo. "As condições climatéricas, a quantidade de neve acumulada e o desconhecimento da rota seguida pelo montanhista desaparecido, bem como o intenso e complicado terreno de buscas, faz com que este trabalho resulte infrutífero e cada vez mais desmoralizador para o pessoal que nele participa", justificou num comunicado a Guardia Civil.

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O carro do atleta tinha sido localizado no dia 10 de Novembro, a cerca de 70 km de Cangas de Ónis. Segundo a agência de notícias EFE, fontes próximas da equipa de buscas revelaram que a documentação descoberta no computador portátil, que o João deixou no interior do seu veículo, apontavam para que este tivesse previsto fazer a rota denominada "anillo de los refúgios". No dia 11 era noticiado pela TSF que tinha sido identificada a rota que o atleta João Marinho estaria a percorrer "e é nessa rota que as autoridades concentram agora os maiores esforços."

Ao anunciar o fim das buscas, a GNR explicou, num comunicado, que o vento forte e a neve acumulada em altitudes mais elevadas "impedem que sejam realizadas acções de busca, por falta de condições de progressão e de visibilidade que permitam a identificação de vestígios, cenário que se agravará nos próximos tempos.

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Perante estas condições, a Guardia Civil espanhola deu por encerradas as buscas, terminando assim a colaboração dos militares do Subagrupamento de Montanha da Serra da Estrela e dos binómios cinotécnicos [equipas homem/cão] da GNR. Os militares da GNR encararam cada dia de busca com a esperança de encontrar o montanhista português, sendo com profunda tristeza que regressam amanhã [dia 21/11] a Portugal", conclui a nota.

Apesar de aparentemente mal equipado para enfrentar os rigores do inverno nas encostas das montanhas Asturianas, João Marinho não é inexperiente nem principiante, tendo explorado em bicicleta de montanha a Ilha da Madeira, os Dolomitas dos Alpes e até o Deserto de Gobi, na Ásia. Empreendedor na área dos chamados "desportos radicais", João Marinho é sócio e cofundador da empresa Nexplore, especializada em organização de eventos desportivos dessa natureza. No seu blogue pode ler-se: "A segurança é uma das áreas muitas das vezes descurada pelas organizações de eventos, mas para a Nexplore será sempre uma prioridade.

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Nesse sentido, obtivemos formação em primeiros socorros. É nossa preocupação estar preparado para prestar apoio caso aconteça alguma ocorrência seja em treino, seja num evento por nós organizado. Muitas das vezes vamos para a montanha para treinar e pode acontecer alguma coisa. Saber o que fazer pode significar salvar a vida a alguém."

Tudo indica que João Marinho sabia o que estava a fazer quando encetou sozinho a sua caminhada pelos Picos da Europa. No seu facebook escreveu: "O núcleo básico do espírito de um homem é a sua paixão pela aventura. O alegria da vida advém dos nossos encontros com novas experiências, e por isso não existe maior prazer do que ter um horizonte em constante mudança, um sol novo e diferente em cada dia."

Os amigos do João ainda não desistiram, mas quando as autoridades desistem e os rigores do inverno se instalam, a esperança torna-se mínima.