O ex-Primeiro Ministro José Sócrates foi detido esta sexta-feira à chegada ao Aeroporto de Lisboa. Sócrates encontra-se sob suspeita de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção. Segundo a Procuradoria Geral da República (PGR), este inquérito teve origem numa denúncia bancária efectuada ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP). Em causa estarão o apartamento em Paris no valor de 2,8 milhões de euros, o apartamento em Lisboa, vinte milhões de euros numa conta na Suíça e a vida luxuosa que manteve em Paris imediatamente a seguir a cessar funções como Primeiro Ministro.

Foram detidos ainda mais três arguidos: Carlos Santos Silva, empresário e ex-administrador do Grupo Lena, o advogado Gonçalo Ferreira e João Perna, motorista de José Sócrates.

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Ainda não foi confirmada a detenção de Joaquim Lalanda de Castro, representante em Portugal da Octapharma, a multinacional farmacêutica na qual o ex-Primeiro Ministro trabalha desde 2013. Os arguidos começaram a ser ouvidos esta sexta-feira e aguarda-se que José Sócrates seja ouvido ainda hoje pelo Juiz Carlos Alexandre.

Ao longo dos anos, José Sócrates viu o seu nome envolvido em vários casos de corrupção em Portugal: o Caso Freeport, a sua licenciatura, os projectos de edifícios na Guarda assinados por ele na década de 80, o Caso Monte Branco e a Operação Furacão, o afastamento da Jornalista da TVI, Manuela Moura Guedes… Depois de ter passado sempre ao lado de todas estas acusações e suspeitas, José Sócrates, vê-se mais uma vez envolvido num caso polémico e inédito na Democracia Portuguesa.

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Independentemente do apuramento da verdade e do veredicto final, que caberá inteiramente à #Justiça, o escândalo político é já inevitável.

Os partidos políticos preferem não fazer, para já, comentários, remetendo o assunto para o âmbito da Justiça. Resta aguardar para ver como reagirá nos próximos dias António Costa, candidato a Primeiro Ministro e que tinha o apoio de José Sócrates, e o próprio PS, que nas últimas semanas tem vindo a reabilitar o nome de José Sócrates.

Um caso inédito e polémico, que vem denegrir a imagem dos políticos portugueses, de si já bastante debilitada. É caso para dizer que o poder político está a perder "Poder". Um caso que ainda dará bastante que falar e que trará consequências para a imagem de Portugal, a nível nacional e internacional. Esperemos pois uma justiça célere.