Foram hoje identificadas duas fontes do surto de bactéria Legionella em Vila Franca de Xira: as fábricas da ADP Fertilizantes e da Solvay. Estas empresas, bem como a vizinha fábrica de cerveja da Central de Cervejas, já tinham ontem respondido positivamente ao Ministério da Saúde e tinham parado os seus sistema de refrigeração para análises e determinação do foco de legionella. Ao dia de ontem, eram já mais de 200 as pessoas infectadas e 5 os óbitos a lamentar. O director geral de Saúde, Francisco George, afirmou que estaríamos próximo do "pico do surto" e que este deverá começar a diminuir, mas que mais pessoas seriam infectadas nos próximos dias. 

A Solvay situa-se em Póvoa de Santa Iria e a Central de Cervejas em Vialonga, ambas no epicentro da propagação da bactéria que levou pessoas ao hospital local desde sexta-feira.

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A Solvay comunicou à imprensa que "acatou a ordem imediatamente" e a Central de Cervejas comunicou que nem havia "esperado pelo ministro" para suspender os sistemas de rega e chuveiros. Já a ADP Fertilizantes, situada em Alverca, suspendeu também duches e sistemas de regas, tendo também procedido a limpezas gerais. Em todas as três empresas existem alguns trabalhadores contaminados.

O Blasting News havia falado na segunda-feira com Vítor João, cidadão anónimo, relativamente à possibilidade aventada nas redes sociais de ser o próprio hospital de Vila Franca de Xira o foco do surto de Legionella. João foi peremptório: "isso é um disparate, uma vez que os doentes vieram todos de três freguesias que são coladas umas às outras e relativamente longe do centro de Vila Franca de Xira. Seria uma coincidência estranha." Com recurso ao Google Maps, João apontou ao Blasting News que Vialonga, Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa situam-se na zona sul do concelho vila-franquense. Para João, "o foco tem de estar numa dessas freguesias. E, cá para mim, é a fábrica de cerveja. Eles só não dizem nada que é para o pessoal não parar de beber cerveja de um dia para o outro." Mas a legionella não é transmitida pelo consumo de cerveja, como poderia isso ser motivo para ocultar essa situação? "Claro que não é motivo", prossegue João, "mas as ondas de pânico criam-se assim. Basta ver que os garrafões de água lá em Vila Franca esgotaram todos, mesmo sabendo que não é com a água da torneira que se transmite a bactéria." Naturalmente, Vítor João não tinha qualquer prova que sustentasse esta afirmação. E embora este cidadão tenha acertado sobre serem as indústrias vila-franquenses a fonte do surto, até agora não foi detectada Legionella nas instalações da Centralcer.