O surto de Legionella de Vila Franca de Xira já causou 1 vítima mortal e um total de 90 pessoas infectadas, subindo para o dobro relativamente aos números avançados ontem. A Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa avançou à agência Lusa que 16 pacientes foram encaminhados para outros hospitais da Grande Lisboa, nomeadamente para S. José, de forma a aliviar o esforço do hospital da cidade ribatejana. O falecido, Fernando Azeitona, de 59 anos, era motorista de pesados e também bombeiro da corporação de Vialonga, e sofria de vários problemas respiratórios, sendo também fumador. Esses factos terão contribuído, segundo o jornal Observador, para a diminuição da capacidade do seu sistema imunitário para suportar a doença.

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Em entrevista em directo para a RTP, um responsável da corporação, visivelmente consternado, falou a dois tempos: da importância de tranquilizar as pessoas relativamente às fontes de contaminação desta doença, tendo sido o papel dos bombeiros importante ao longo do dia, e também da perda pessoal para toda a equipa.

A ARS de Lisboa confirmou que os novos casos de infecção continuam a chegar das três freguesias do concelho de Vila Franca de Xira onde se haviam verificado os casos de ontem: Vialonga, Forte da Casa e Póvoa de Santa Iria. Está, assim, afastada, a hipótese de um surto com vários focos ao longo da Grande Lisboa. Contudo, continua ainda por identificar o que está a causar o problema - ou por onde é que estas 90 pessoas terão estado..

O caso tem provocado uma onda de algum pânico.

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A RTP entrevistou comerciantes e pessoas anónimas, em Vila Franca de Xira, tendo falado com uma cabeleireira que recebeu vários telefonemas de clientes questionando se seria seguro deslocarem-se ao estabelecimento, devido ao vapor de água. Na rua, as pessoas mencionavam que "o pior desta questão é não podermos fazer nada de concreto", embora estejam informadas de que a doença não é contagiosa de pessoa para pessoa. Uma mãe reportou que, à cautela, evitou levar os filhos para o centro comercial, um possível foco de infecção. E apesar de as pessoas entrevistadas não terem mostrado receio de contágio por beber água, o dono de um estabelecimento disse à televisão pública que o stock de água engarrafada esgotou em 15 minutos e que havia já requisitado mais.

O Blasting News falou com Filipa Antunes, moradora no sul do distrito de Leiria, que contou a sua versão desta onda de pânico. "O meu filho, emigrante, está hoje [ontem, n.d.r.] de regresso a Portugal para umas pequenas férias e já me telefonou a perguntar se eu estava a ver as notícias na televisão, e se era grave a questão da Legionella." A cidadã acrescentou ainda que "há anos que não vou a Vila Franca de Xira nem respiro o ar condicionado dessa cidade, por isso não tenho receio; mas admito que muitas pessoas possam rapidamente ficar alarmadas, como o meu ex-marido ficou, se virem só a informação pela metade."

A doença do Legionário tomou este nome uma vez que a bactéria Legionella foi descoberta na sequência de um surto da doença que atingiu um encontro da Legião Americana, uma organização de veteranos de guerra, em 1976. O surto causou 34 mortes e, à data, ainda era desconhecida a sua causa.