Fernando Brito, presidente da Associação Portuguesa da Indústria da Refrigeração e Ar Condicionado (APIRAC), deu hoje uma entrevista importante ao Diário de Notícias. Nela, o representante do sector aponta uma falha grave e uma interpretação que é, do seu ponto de vista, errada sobre o surto de Legionella que está a afectar o concelho de Vila Franca de Xira. Fernando Brito reclama que há um ano que se deixaram de fazer inspecções à qualidade do ar nos edifícios, devido a uma questão político-legal. E sublinha também que o problema da Legionella é, antes de mais, um problema de água, e não especificamente do ar condicionado. As suas declarações podem apontar caminhos diferentes para identificar a origem do problema, mas antes de mais tentam proteger a imagem do ar condicionado e da indústria, que está a ser seriamente afectada pelo problema - tal como foram os frangos e a carne de vaca devido a questões idênticas na década passada.

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Fernando Brito aponta que a responsabilidade de fazer auditorias à qualidade do ar nos edifícios passou a ser das direcções regionais de saúde, mas que todo o sector aguarda um despacho ou portaria que coloque em prática o que se definiu na teoria, isto é, que se definam as "metodologias" do procedimento. Em consequência, não há auditorias desde Novembro do ano passado.

Adicionalmente, Brito aponta que a origem do problema será "poluição exterior" e não o sistema de um edifício, pelo facto de o conjunto dos doentes ser muito variado. O presidente da APIRAC aposta numa torre de arrefecimento, que funciona a pulverização por água e cujas gotículas "podem percorrer grandes distâncias", sendo que o foco pode ser:

  • centros comerciais;
  • edifícios antigos;
  • edifícios industriais.

Brito aponta ainda outros possíveis focos:

  • sistemas de rega que utilizem água de fontes não oficiais;
  • fontes ornamentais cujo tratamento de água não seja feito.
Fernando Brito sublinha ainda que o problema é sempre a água, e que o pânico que se está a criar pode trazer problemas adicionais. Muitas pessoas têm ar condicionado em casa mas sem sistemas de utilização de água, pelo que a questão da bactéria não se coloca nesse caso.

Nas redes sociais, alguns comentadores discordavam desta opinião de Brito e sugeriam teorias de conspiração, naturalmente sem qualquer prova para o sustentar.

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Os comentadores apontam que o surgimento de um número tão grande e súbito de doentes e a ausência de uma explicação sobre qual poderia ser o ponto em comum por onde todos passaram poderia sugerir que o foco da bactéria poderia ser o próprio hospital de Vila Franca de Xira.

Desta forma, a posição de Fernando Brito em defesa do seu sector económico poderá ajudar a reputação das autoridades de saúde, neste momento. Além disso, parece ser a primeira voz a sugerir publicamente eventuais focos e desta forma a estimular o debate.