O surto de bactéria Legionella de Vila Franca de Xira está a diminuir, quer no número de casos quer no pânico instalado. A descoberta dos focos da bactéria e as limpezas efectuadas contribuem não só para estancar a propagação do problema, mas também para que as pessoas - no concelho ribatejano, na Grande Lisboa e por todo o país - se sintam tranquilas relativamente ao que podem fazer para evitar o problema. O número de casos, de acordo com a Direcção Geral de Saúde, já ultrapassou os 300 e provocou 7 mortes, havendo outras sob suspeita de que possam estar relacionadas.

De uma forma geral, e apesar de o surto ser, em números, o terceiro maior de sempre em todo o mundo, as autoridades estão de parabéns na resposta rápida ao problema.

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O Expresso refere que vários especialistas na área da saúde reconheceram a rapidez na identificação do foco e na capacidade de assistência aos infectados. A rapidez foi certamente facilitada pelo facto de o foco da bactéria se encontrar nos locais mais lógicos e previsíveis. Muitos cidadãos anónimos, não só na região de Vila Franca mas também por todo o país, já suspeitariam que se tratasse. A Organização Mundial de Saúde, atenta ao problema, disponibilizou-se para enviar especialistas ao nosso país, mas Portugal declarou não ser necessário.

Seguir-se-á a fase do apuramento de responsabilidades. Também o Expresso refere o enquadramento dos crimes de poluição atmosférica: podem existir penas de prisão até 3 anos, que poderão ser agravadas caso o enquadramento seja diferente (com negligência ou até dolo.) Pesadas coimas (até 2,5 milhões de euros) podem abater-se sobre as empresas.

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Sem contar com a possibilidade de os familiares das vítimas poderem avançar também com processos motu proprio.

Além das mortes registadas e seguramente do susto para todos os atingidos, haverá ainda a lamentar a rápida disseminação do pânico, uma pecha das sociedades modernas. As notícias de Legionella de sexta-feira levaram ao esgotar de stocks de água engarrafada na região de Vila Franca de Xira, a pessoas que vivem na região Oeste serem contactadas por familiares distantes preocupados com as notícias e questionando a qualidade da água (de acordo com relatos obtidos pelo Blasting News), e muito mais. Nas redes sociais, algumas pessoas fizeram até comparações com o Ébola e referiram que existe alguém interessado em criar o pânico. Quando a verdade é que o pânico nasce deste tipo de comparações; o vírus Ébola já provocou mais de 5000 mortos e ainda não está controlado, enquanto a Legionella vila-franquense provocou cerca de 0,002% desse número de vítimas mortais.