Durante vários anos, temos sido confrontados com casos mediáticos sobre alegados casos de corrupção, branqueamento de capitais e enriquecimento ilícito. No entanto na sua grande maioria, não passam de investigações desencadeadas por jornalistas e quando chegam aos tribunais caem em "saco roto". O descrédito sobre a #Justiça portuguesa tem vindo a agravar-se ano após ano, por nunca se ver nenhum dos intervenientes ser condenado e as investigações serem sempre consideradas inconclusivas. De repente, temos quase que diariamente notícias sobre detenções e novas investigações a ter políticos a serem presos. Terá a justiça começado a ter força para levar em frente casos de corrupção liderados por políticos?

Após o mediático caso dos vistos dourados, que para além de fazer "cair" o ministro Miguel Macedo, foram detidos vários elementos ligados a altos cargos do #Governo, temos agora um ex-primeiro ministro a ser detido.

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José Sócrates foi detido esta sexta-feira ao chegar ao aeroporto de Lisboa para prestar declarações sobre branqueamento de capitais, corrupção ativa e crimes de fraude fiscal. Parece que pela primeira vez na história de Portugal, o poder político não está a conseguir bloquear o poder judicial.

José Sócrates esteve sempre interligado a diversos casos de favorecimentos e corrupção, como por exemplo os casos do Freeport, cova da beira, operação furacão, face oculta e até mesmo a sua licenciatura que já recentemente foi colocada em causa pelo reitor da universidade. Foram seis anos a governar Portugal sempre com estes casos a assombrar a sua credibilidade, mas sempre conseguiu fugir a qualquer acusação. Argumentos nem sempre muito válidos como justificar valores elevados nas suas contas ou na compra de casas, devido a heranças de familiares que ninguém teria conhecimento, familiares intervenientes em negócios que estavam a ser associados a si mesmo, tudo serviu para que nunca prestasse qualquer declaração sobre as investigações que vinham a público.

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No entanto uma coincidência muito estranha assombra as investigações atuais. Foi preciso que o caso dos vistos dourados tenha tido um peso político altamente negativo com a associação de diversos membros do PSD e mesmo Paulo Portas, para que tenha sido desencadeada a detenção de José Sócrates. Será que o poder político continua a conseguir exercer força sobre a justiça para ser dado seguimento a casos específicos? Ou a justiça portuguesa começou a fundamentar de forma sustentável as suas investigações e deixou de "olhar" para quem está no poder?

Olhando para o caso de José Sócrates, fica uma outra dúvida no ar, será necessário que Paulo Portas deixe o governo para que também seja presente a tribunal para esclarecer convenientemente tudo o que se passou nas "luvas" dos submarinos, no caso da universidade moderna ou no escândalo de corrupção dos seus tão afamados vistos dourados?