Jean-Claude Juncker, que foi nomeado sucessor de Durão Barroso como Presidente da Comissão Europeia, vê o seu lugar a ser já ameaçado após surgirem diversas indicações de favorecimentos fiscais secretos a 343 empresas multinacionais em Luxemburgo entre 1995 e 2003 quando Juncker era Primeiro-Ministro deste país. Esta investigação foi levada a cabo pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) e tem sido divulgada em vários países. De acordo com a investigação feita pelo ICIJ, diversas empresas multinacionais beneficiaram de taxas de imposto reduzidas, que em algumas situações ficaram inclusivamente abaixo de 1%. Com isto, essas empresas conseguiram fugir ao pagamento de impostos nos seus países de origem e lesaram os seus Estados em milhares de milhões de euros.

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Todas as multinacionais apresentadas na lista eram clientes da consultora PwC e podemos destacar da vasta lista, as seguintes empresas: Apple, Amazon, Ikea, FedEx, Pepsi, Heinz, Laboratórios Abbot ou Burberry. De acordo com a documentação apresentada pelo ICIJ, são também mencionadas seis empresas com ligações a Portugal, sendo que o nome de uma das empresas não foi para já revelado. As restantes são: a Carlyle, a Developers Diversified Realty Corporation (ramo imobiliário), a Hypo Real Estate Group (grupo financeiro alemão), a KBL Lombard International Assurance (seguros) e a Maus Freres, que detém a marca Lacoste (retalho). Na incógnita fica o valor que Portugal terá visto fugir relativo aos impostos que deveriam ter sido liquidados por estas mesmas empresas.

Jean-Claude Juncker ainda não prestou qualquer declaração sobre esta situação e esteve inclusivamente ausente do debate de dia 06/11/2014 no parlamento europeu, onde os pedidos de justificação começam a ser altamente pressionantes.

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A destacar temos a intervenção da eurodeputada do Bloco de Esquerda Marisa Matias, que questionou diretamente a Comissão sobre que medidas ia tomar sobre este escândalo e qual a legitimidade para que Juncker se mantenha em funções. Já o eurodeputado João Ferreira eleito pela CDU afirmou querer levar o Presidente da Comissão Europeia a responder em Bruxelas e indicou inclusivamente que já existem contactos com outras bancadas do Parlamento para que seja avançada uma moção de censura.

O recém-eleito Presidente da Comissão Europeia, que sempre foi altamente defendido pela Alemanha e que impôs o seu nome como sucessor de Durão Barroso, fica assim numa situação delicada. A ver vamos quais as medidas que vão ser tomadas perante um caso nítido de burla fiscal que encaminhou milhares de milhões de euros para a economia de Luxemburgo indevidamente.