Lançada no início de Novembro, a Operação Conjunta Triton 2014 ajuda na patrulha do Mediterrâneo Central, no sentido de se evitar situações semelhantes à de outubro de 2013, quando mais de 300 emigrantes perderam as suas vidas ao largo da ilha de Lampedusa, em Itália. Entre estes encontra-se o NRP Viana do Castelo, um navio da Marinha Portuguesa que patrulha as águas ao sul da ilha da Sicília. Na segunda-feira o navio da Marinha Português realizou o seu terceiro resgate e salvou 80 pessoas a partir de um barco de borracha motorizado no Mar Mediterrâneo, a oitenta milhas náuticas ao norte da capital da Líbia. Entre estas pessoas, encontrava-se uma mulher grávida. Também no início desta semana, o navio resgatou 122 homens de um barco lotado, a 65 milhas ao norte de Trípoli, na Líbia.

De acordo com um comunicado da Marinha Portuguesa, muitos dos náufragos, oriundos de vários países africanos, mostravam sinais de pré-hipotermia, e encontravam-se desidratados e com fome. Os imigrantes foram atendidos pela equipa da Marinha Portuguesa e depois transferidos para um navio da Marinha Italiana, de forma a serem deixados em terra.

O tema da imigração ilegal no Mediterrâneo será debatido no final deste mês em Lisboa, como parte de um congresso internacional organizado pelo Conselho Português para os Refugiados (CPR). Sob o nome "O Mediterrâneo, A Última Fronteira", o congresso terá lugar na Fundação Gulbenkian, a 27 de novembro. "Para muitos, o Mediterrâneo é a fronteira final para a segurança desejada da Europa", afirma uma peça introdutória para o congresso no site da CPR.

A Agência de Refugiados ACNUR da ONU estima que até 30 de setembro deste ano, mais de 165 mil refugiados e migrantes atravessaram o Mediterrâneo, 100.000 a mais do que durante todo o ano de 2013. O ACNUR estima também que durante o mesmo período de 2014, cerca de 3.000 pessoas morreram ou desapareceram durante a travessia, mais 2.400 do que no ano passado.

"Esses fluxos migratórios cada vez mais complexos têm colocado uma enorme pressão sobre as fronteiras do sul da Europa", afirma a CRP, acrescentando: "Se o Mediterrâneo é uma "fronteira" europeia, a responsabilidade das operações de busca e salvamento deve ser partilhada por todos os Estados-Membros, bem como a criação de alternativas legais para as travessias marítimas que põem em risco a vida de milhares de migrantes".

A Operação Conjunta Triton, que organiza esforços para gerir as migrações no Mediterrâneo Central, foi lançada no início deste mês pela agência europeia Frontex para prestar assistência às autoridades italianas na sequência da tragédia de Lampedusa.

Esta Operação conta com os recursos humanos e técnicos disponibilizados pelos Estados-Membros participantes e o seu orçamento mensal é estimado em 2.9M € por mês.