Na sequência da chuvada intensa que se abateu sobre Portugal durante os dias de anteontem e ontem, voltaram a registar-se inundações em Lisboa. O fenómeno meteorológico havia motivado um alerta laranja por parte da Protecção Civil. Na quarta-feira, segundo o Expresso, uma chuva forte por volta das 15h00 havia provocado constrangimentos na avenida Marginal, que liga a capital à Linha do Estoril. Na própria cidade, os Bombeiros Sapadores apontavam "situações sem gravidade" no Campo Pequeno, na vizinha Praça de Espanha (local já habitual para mini-cheias) e Chelas. Mas a situação assumiu contornos mais graves no Marquês de Pombal e na Baixa (Portas de Santo Antão, Restauradores).

Ontem, quinta-feira, nova tempestade agravou mais ainda a situação. A TVI24 mostrava no seu website imagens enviadas por cidadãos, retratando grandes dificuldades com a água em Sacavém, Agualva-Cacém e Damaia. Oeiras e Carnaxide são outros locais onde se registaram complicações. Na própria capital, a água surge, sem distinguir entre as zonas mais ribeirinhas de Alcântara e Marvila ou mais distantes do Tejo como Luimar e Benfica. A chuva forte motivou também a interrupção do jogo de futebol entre o Estoril-Praia e o PSV Eindhoven (Holanda), a contar para a fase de grupos da Liga Europa. A jogar em casa, o Estoril vencia por 3-2 ao intervalo, mas após o apito do árbitro e com a chuva forte, o relvado do estádio situado na Linha tornou-se impraticável e forçou a UEFA, após a espera de uma hora e sem melhorias, a adiar o jogo para hoje. A Autoridade Nacional de Protecção Civil tornou a repetir os avisos para o dia de ontem, alertando para chuva, vento forte e neve.

Este é o terceiro mês consecutivo que se registam inundações em Lisboa na sequência de um episódio de chuva forte e concentrada. O primeiro havia sido a 22 de Setembro e a responsabilidade fora, em parte, assacada ao deficiente escoamento e limpeza de sarjetas e linhas de água após o Verão. No segundo, o presidente da Câmara Municipal António Costa sentiu a necessidade de alertar que seria "impossível" evitar totalmente cheias na cidade, mas que não iria "esperar pelo Governo" para avançar com as obras que entendesse necessárias.