Para Angela Merkel, o diploma universitário não deve ser a única forma de realização profissional dos jovens. O Diário Económico de hoje deu conta que num discurso em Berlim, a chanceler apontou como exemplo o sistema de ensino alemão como solução para as elevadas taxas de #Desemprego jovem em países como Portugal e Espanha. Ir para a universidade como forma exclusiva de construir uma carreira profissional "é algo de que temos de ficar longe", alertou Merkel, citada pela agência Bloomberg. "Absurdo" foi como Merkel classificou o facto de a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) avaliar os países através do número de licenciados, já que "aqueles países que têm muitos diplomados a nível universitário têm também elevados níveis de desemprego jovem".

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Para a chanceler, a solução para o desemprego entre licenciados é um sistema de ensino profissional semelhante ao da Alemanha.

Segundo a OCDE, a qualificação compensa

O estudo "Education at a Glance 2012" concluía que Portugal era o país, dos 30 da OCDE, onde mais compensava tirar uma licenciatura em termos de salários, que eram em média 69% mais altos para os graduados quando comparados com trabalhadores que tinham concluído apenas ensino secundário.

"Os benefícios públicos do investimento na #Educação são, a longo prazo, muito grandes", confirmou Andreas Schleicher, director adjunto para a Educação da OCDE. O responsável defendeu ainda que "maior qualificação significa mais emprego".

O recentemente publicado "Education at a Glance 2014" continua a afirmar: "As economias dos países da OCDE dependem do fornecimento suficiente de mão-de-obra qualificada. Qualificações educacionais são frequentemente usadas para medir capital humano e nível de proficiência. Na maioria dos países da OCDE, pessoas com maiores qualificações têm melhores taxas de empregabilidade".

O que dizem os números

Em 2013, o número de desempregados licenciados era o mesmo que o número de desempregados com a quarta classe completa, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). O número chegava aos 138 mil em ambos os casos.

Por outro lado, desde o início de 2011 o número de desempregados de longa duração com um diploma universitário tinha aumentado 84% em 2013, atingindo 70,4 mil pessoas. O número era semelhante ao número de desempregados de longa duração com o ciclo preparatório concluído, que chegava aos 74,6 mil.

No terceiro trimestre de 2013, o INE divulgava que 81,1 mil licenciados estavam desempregados há mais de um ano.

O relatório "Employment and Social Developments in Europe 2013", da Direcção-Geral do Emprego da Comissão Europeia, indicava: "Portugal é dos países europeus com maior índice de sobrequalificação no emprego".

Ainda que as metodologias e os factores analisados pelos estudos citados não tenham sido os mesmos, não sendo por isso totalmente comparáveis, os resultados indicam que as conclusões da OCDE não se enquadram com a realidade exemplificada pelos números do desemprego relativo a licenciados. O mesmo não quererá dizer que existem licenciados a mais em Portugal. Por exemplo, no caso dos doutorados, o problema parece ser a falta de oportunidades de emprego.