O número de nascimentos em Portugal foi, em 2013, o mais baixo de sempre, de acordo com um relatório recente publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Há muito que foi ultrapassada a barreira psicológica dos 100.000 nascimentos por ano: no ano transacto, o número de nascimentos foi abaixo de 83.000 bebés, sendo o mais baixo desde que há registo. Registou-se uma quebra de cerca de 7000 nascimentos em relação a 2012. Da mesma forma, o índice de fecundidade registou 1,21 filhos, baixando desde os 1,28 em 2012.

O INE constatou também a consolidação das tendências de envelhecimento da população. A proporção da população idosa aumentou de 19,4% para 19,9%, enquanto a população jovem quebrou de 14,8% para 14,6%.

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Em conjunto com a redução dos nascimentos, a emigração veio também ajudar à diminuição de cerca de 60.000 habitantes. Contudo, a longevidade regista um sucesso e, apesar das dificuldades impostas pela Troika, registou-se uma diminuição de 1% no número de óbitos.

Ontem, a Comissão Europeia divulgou um relatório onde prevê menos 40% de jovens em Portugal em 2060 - isto é, cerca de 900 000 jovens a menos.

Embora se trate de um cenário comum nas sociedades ocidentais, ele atinge especial acuidade na sociedade portuguesa, que acumula vários pontos contra a natalidade: por um lado, a evolução enquanto sociedade urbanizada e modernizada, que extinguiu o fenómeno das famílias numerosas; e, por outro, as dificuldades financeiras, que tornam mais difícil a um casal tentar planear um cenário económico de longo prazo - tendo em conta as expectativas de "estabilidade e crescimento" que as gerações actuais herdaram, depois de cerca de meio século de crescimento económico sustentado e que se julgava não ter fim.

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A quebra da natalidade começa a tornar-se um problema muito sério e que diz respeitos a todos. Não se trata apenas da sustentabilidade do sistema de pensões da Segurança Social; todos os cidadãos portugueses com menos de 35 anos estão perfeitamente conscientes de que se trata de um esquema de pirâmide cuja "bolha" irá explodir quando chegar a sua vez de obter o "lucro". Trata-se simplesmente da sustentabilidade da própria sociedade portuguesa, nos seus aspectos macroeconómicos, profissionais, pessoais, sociais, familiares.

Não existe actualmente um debate sério sobre a sociedade que esperamos ter em 2030, o tipo de consequências que advirão desta quebra brutal e sem precedentes na natalidade. #Família

O cenário macroeconómico de estabilidade, que herdámos da segunda metade do século XX, desapareceu e não é previsível que regresse na próxima década. A opção a fazer é acomodarmo-nos e esperar por dias melhores; ou optarmos por nos adaptar às circunstâncias - algo para o que os portugueses sempre tiveram engenho e arte.